terça-feira, 31 de março de 2009

Para Refletir: "Quem é o Ministro da Palavra?"

QUEM É O MINISTRO DA PALAVRA?


Quem é o ministro da Palavra? É aquele que traduz Cristo na Bíblia; quer dizer, ele fala às pessoas sobre Cristo que conheceu nas palavras da Bíblia, de modo que naqueles que recebem a Bíblia o Espírito Santo traduz novamente a Cristo. (...).
Os homens precisam conhecer a Cristo. Aquele que possui um conhecimento básico de Cristo é capaz de enviá-lo nas palavras da Bíblia; subseqüentemente, o Espírito Santo assumirá Sua responsabilidade. (...).
Falar somente sobre a Bíblia não é suficiente para apresentar Cristo, é preciso que haja conhecimento Dele para que isso seja feito.
Um ministro da Palavra é alguém capaz de compartilhar o Senhor por meio das palavras que fala. Enquanto as palavras são pronunciadas, o Espírito Santo opera capacitando os homens a tocar e conhecer a Cristo. Somente dessa maneira a Igreja pode ser enriquecida. Não pensemos que os ouvintes devem assumir toda a responsabilidade. A verdade é que nós mesmos temos de assumir a responsabilidade. (...).

(...) Tendo sido escolhido por Deus para ser seu ministro, você fala sobre a Bíblia e assim fala também sobre o Homem. Quando oferece as palavras da Bíblia aos homens, você oferece também o Homem, pois está pregando a Cristo.

A verdadeira pregação proclama a Cristo. (...) A menos que o indivíduo tenha se prostrado diante de Deus, dizendo “ó Senhor, sou indigno”, não pode ser ministro da Palavra. (...) Não é transmitir uma mensagem, mas transmitir um Homem.

Trata-se de uma tarefa enorme, uma tarefa que supera em muito todas as habilidades humanas. (...)

Ser ministro da Palavra é uma questão séria, que não deve ser encarada levianamente; não é uma tarefa fácil, que pode ser realizada apenas lendo a Bíblia muitas vezes. Um ministro da Palavra deve ser capaz de oferecer Cristo às pessoas e ajudá-las a tocar Nele por meio de suas palavras.

WATCHMAN NEE
Livro: O Ministério da palavra de Deus. pp. 165-168.
Ed. Dos Clássicos.

CONHEÇA A HISTÓRIA DA FORMAÇÃO DOS EVANGELHOS

CONHEÇA A HISTÓRIA DA FORMAÇÃO DOS EVANGELHOS
(Por Alan G. de Sá)

O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS


O Evangelho segundo Mateus, apesar de vários argumentos contra a autoria do apóstolo, com várias tradições e opiniões de evidência interna, foi escrito pelo próprio Mateus, argumento esse que favoreceu o seu rápido uso e aceitação pela igreja primitiva, por suas raízes remontarem ao apóstolo. Sua autoria e autoridade apostólicas contam com as seguintes confirmações antigas: Papias, Irineu, Orígenes, Eusébio.

Eusébio de Cesaréia fala que Mateus, tendo primeiro proclamado o evangelho em hebraico, quando estava para ir às outras nações para proclamar o evangelho, colocou - o por escrito em sua língua natal e assim por seus escritos, supriu a necessidade de sua presença entre eles.[1] Ele também faz uma outra associação deste evangelho com o apóstolo Mateus, com uma informação de Papias[2] sobre Mateus de ter reunido ditos de Jesus em um dialeto hebraico. Alguns, porém acreditam que Papias fazia uma citação de uma outra obra de Mateus, Oráculos do Senhor, escrita por ele em hebraico (isto é aramaico, o idioma da Palestina na época, pois o hebraico clássico não era mais usado popularmente).

As citações mais antigas de Mateus aparecem no início do século II com Inácio, que morreu por volta de 107. Em meados do século II, era o mais usado dos evangelhos, evidenciado pelo fato de que escritores cristãos desse século citam-no mais que qualquer outro evangelho. Irineu, em Contra as Heresias, nos livros III e IV, cita mais do evangelho de Mateus do que dos quatro evangelhos combinados. Irineu ainda afirmou que o evangelho foi escrito enquanto Pedro e Paulo estavam em Roma, fundando aquela igreja, situando-o o mais tardar na década de 60 e sugerindo que foi até mais cedo: “Mateus, de fato, produziu seu Evangelho escrito entre os hebreus no dialeto deles, enquanto Pedro e Paulo proclamavam entre os hebreus no dialeto deles, enquanto Pedro e Paulo proclamavam o evangelho em Roma”.[3] O quadro de intenso conflito com o judaísmo podia se enquadrar em qualquer época da primeira metade do século I, especialmente o período ligado a Nero na década de 60, por sua perseguição aos cristãos que os distinguiu dos judeus.

Também as suas evidências internas como se o templo estivesse ainda funcionando (Mt 5.23,24; 17.24-27), apontam para uma data na década de 60, alguns o colocando após o evangelho de Marcos, entre 64 e 68. Outros o colocam como o mais antigo, com a sua data de composição entre os anos de 45 e 55 d.C.
O Evangelho Segundo Mateus é o primeiro livro no cânon do Novo Testamento, porque quando a igreja veio a estabelecer o cânon pensava-se que esse evangelho foi o primeiro a ser escrito e era o mais ligado ao Antigo Testamento, sendo o mais popular entre os sinóticos por ser diretamente ligado aos apóstolos, dados que Marcos e Lucas não foram escritos por apóstolos. Porém seu evangelho foi, provavelmente o último dos quatro a ser escrito.


Sobre o Autor: Não há muitas informações sobre Mateus. Os historiadores bíblicos acreditam que ele fora funcionário do tetrarca Herodes Ântipas e trabalhara perto de Cafarnaum, provavelmente, no posto fronteiriço da estrada que começava no Egito, passava pela Palestina, e seguia até Damasco na Síria.

O seu nome aparece nas listas dos apóstolos de Jesus em quatro passagens: Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.15 e At 1.13. Morava em Cafarnaum, onde exercera o cargo de cobrador de impostos, “publicano”. Ao ser chamado por Jesus, abandonou tudo e passou a seguí-lo (Mt 9.9; Mc 2.14; Lc. 5.27,28). Pouco mais tarde, ofereceu um banquete a Jesus. Muitos publicanos amigos de Mateus fizeram-se presentes ao encontro (Mt 9.10; Mc 2.12; Lc 5.29). Provavelmente era uma despedida a seus ex-colegas. O trecho de Lc 5.29 afirma claramente que o mesmo teve lugar na casa de Levi, sendo esta informação usada como base para identificar Levi com Mateus. Mateus volta a ser mencionado em At 1.13, com os apóstolos no cenáculo em oração.

Várias estórias dizem que Mateus foi à Etiópia, Macedônia, Síria, Pérsia, Pártia e Média. Uma linha da tradição diz que Mateus morreu na Etiópia ou na Macedônia, de morte natural. As igrejas gregas e romanas, por outro lado, celebram o seu martírio. Essas últimas opiniões não têm comprovação histórica.


O EVANGELHO SEGUNDO MARCOS


Marcos é considerado hoje, o primeiro evangelho que foi escrito. É colocado após o evangelho de Mateus em nossas Bíblias, provavelmente porque Agostinho e outros entre os primeiros comentadores consideraram-no uma condensação do evangelho de Mateus. Como os outros evangelhos, as discussões sobre autoria e data e ambiente de Marcos giram em torno de testemunho externo e inferências sobre características internas desse evangelho. Nele, assim como nos outros evangelhos, o autor não diz o seu nome, sendo a sua associação a Marcos feita pelo testemunho da Igreja antiga.

Uma referência dada por Eusébio de uma citação de Papias, mostra Marcos como intérprete de Pedro (História Eclesiástica 3.39.15). O Prólogo antimarcionita (ca 180 d.C.), Irineu (Contra heresias 3.1.1-2) e Clemente de Alexandria (registrado em História Eclesiástica 6.14) confirmam esta identificação. Não há evidência interna para outro autor.

Para muitos teólogos, este Marcos, se refere a João Marcos, conhecido como assistente de Pedro, Paulo e Barnabé.[4] O nome Marcos era comum, portanto essa associação com Pedro e Paulo e o testemunho dos Pais da Igreja são muito importantes para a sua identificação. Ele deve ter tido ligação apostólica para explicar a sua aceitação pela Igreja na coleção básica de um evangelho quádruplo, mesmo que a igreja reconhecesse que não fora escrito por um apóstolo.

Quanto a sua datação, o testemunho externo não é uniforme, tornando um pouco difícil estabelecer a sua datação. Irineu situa a composição após a morte de Pedro e Paulo, uma data que aponta para o fim da década de 60, enquanto Clemente de Alexandria indica uma data correspondente ao período em que Pedro e Paulo estiveram em Roma. Se isto estiver correto, a data da autoria retrocede a aproximadamente à década de 50.

Porém há um testemunho de Clemente de Alexandria, que Pedro aprovou a obra de Marcos (História Eclesiástica 2.15.2), tornando possível a datação deste evangelho para uma data no final da década de 50 até meados da década de 60. A possibilidade de uma data no início da década de 60 é boa.
Em contraste com outras questões que envolvem o evangelho de Marcos, parece geralmente aceito pelos estudiosos de que este evangelho foi escrito em Roma, provavelmente visando aos gentios daquela cidade. O próprio livro fornece-nos indícios sobre isso, no fato de que Marcos citou as palavras proferidas por Jesus em aramaico, ajuntando-lhes a tradução ou as explicações necessárias, esclarecendo, ainda, diversos costumes correntes entre os judeus, ainda diversos costumes correntes entre os judeus.
Em muitos manuscritos antigos existem declarações introdutórias que declaram, bem definidamente, que esse evangelho foi escrito em Roma, e apesar dessas declarações repousarem unicamente na tradição, contudo, a tradição parece justificada. É provável que o evangelho de Marcos tenha sido escrito em Roma, pouco antes do martírio de Pedro (que teve lugar em 62-64 d.C.).

O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS


Este evangelho é, entre os quatro, o mais longo, possuindo uma mistura de ensino, milagre e nele há mais parábolas que qualquer outro evangelho. Muitos de seus discursos acontecem em cenas de refeição[5], que lembram os simpósios gregos, nos quais a sabedoria era apresentada.

A evidência externa é consistente ao nomear Lucas como o autor. Justino observa que essa “memória de Jesus” foi escrita por um seguidor dos apóstolos. Também há ligações feitas por Irineu[6] deste evangelho com Lucas, um seguidor de Paulo, e registra a evidência das seções “nós” de Atos como apontando para alguém que conhecia Paulo. Alusões a este evangelho aparecem tão cedo como 1-2 Clemente (c. 95 e 100 d.C.). O cânom de Muratori também atribui este evangelho a Lucas, um médico. Tertuliano[7] chama o Evangelho de Lucas de um “sumário do Evangelho de Paulo”.
Eusébio, em história Eclesiástica 3.4.7, informa que Lucas é natural de Antioquia da Síria, e que os seus pais eram gentios. Provavelmente se converteu desde cedo ao cristianismo, depois da inauguração dos primeiros esforços evangelísticos da igreja. A unanimidade da tradição sobre a autoria é importante. Algumas informações também nos possibilitam saber um pouco de seu perfil: Em Colossenses 4.10-14, provavelmente seja Lucas a pessoa incluída, torna-se possível concluir que Lucas não era judeu e era médico. O uso e conhecimento do Antigo Testamento presentes neste evangelho evidenciam que é provável que Lucas fosse um temente a Deus ou um ex-prosélito judeu. A sua história no livro de Atos, tem ligações iniciais com Paulo, em Trôade (ver Atos 16.10), onde a palavra nós subentende que naquele tempo o escritor era um dos companheiros do apóstolo. Conforme se evidencia em Atos, Lucas não era um companheiro constante de Paulo, e sim ocasional.
É possível que certas revelações dadas ao apóstolo Paulo tenham influenciado algumas expressões e conceitos básicos do evangelho de Lucas (tais como as que encontramos em Ef. 3.3; I Co 9.1 e 11.23). Parece haver certo paralelismo nas palavras, e em tais comparações como Lc 10.7 com I Co 10.27; Lc. 17.27-29 e 21.34,35 com I Tes. 5.2,3,6,7. Alguns também acreditam que a escolha de materiais, no evangelho de Lucas, tenha sido influenciada pelos ensinamentos de Paulo, bem como da associação geral que Lucas teve com Paulo. Alguns eruditos têm negado essa influência, ou, pelo menos, têm-na diminuído grandemente, contudo, não podemos desconsiderá-la inteiramente.
A data de Lucas relaciona-se em três partes com essas três questões: a relação com a data do evangelho de Marcos, o término de Atos e se as alusões da destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. ocorrem em Lucas 21. Uma data na década de 60 parece provável.
O ambiente de Lucas não é conhecido. Há muitos candidatos, incluindo tradições para Antioquia, como também Acaia, na Grécia, além das sugestões para Roma, à luz do fim de Atos. A ausência de uma indicação clara na tradição externa significa que não sabemos o ambiente exato. As questões dominantes envolvem uma comunidade mista judaico-cristã. Além disso, podemos dizer pouca coisa.
O próprio autor declara peremptoriamente um dos propósitos que teve, ao escrever a sua obra, no prefácio deste evangelho (1:1-4). Muitas pessoas haviam escrito a respeito de Jesus e sua vida admirável, talvez de maneiras incompletas e quiçá contraditórias; e Lucas desejava suprir uma narrativa em ordem e digna de confiança para Teófilo (que evidentemente era um ato oficial romano, possivelmente recém-convertido ao cristianismo). Todavia, também é possível que Teófilo não fosse o único destinatário porque Lucas pode ter tido o interesse de suprir um evangelho em ordem e completo para leitores não judeus. E Lucas também queria esclarecer, ao governo imperial de Roma, que os cristãos não eram alguma seita sediciosa e subversiva, e nem mera facção do judaísmo; pelo contrário, que a sua mensagem é universal e, por isso mesmo, importante para todos os povos. Também desejava apresentar um Salvador universal, um grande e compassivo Médico, Mestre e Profeta, que viera aliviar os sofrimentos humanos e salvar as almas dos homens.
O governo romano havia aprendido a tolerar o judaísmo, quase inteiramente, por ter antigas e profundas raízes culturais. É verdade que o cristianismo tinha origem recente, mas isso não significava que não tivesse importância universal, motivo por que também deveria usufruir de aceitação por parte do estado romano. É interessante observarmos que este evangelho exerceu pouco efeito na situação política, e que as perseguições de forma alguma se abrandaram; de fato, se prolongaram até os dias de Constantino (300 D.C.). Por conseguinte, a legalidade do cristianismo não foi aceita, nem por causa deste evangelho nem em vista de qualquer outro motivo.
Não podemos deixar de notar, igualmente, que a mensagem geral dos evangélicos sinópticos, e não apenas a do evangelho de Lucas, é que a igreja tinha por intenção suprimir a sinagoga como o verdadeiro Israel, e que por isso mesmo tinha o direito de ser reconhecida e até mesmo ser protegida pelo estado, conforme este vinha fazendo com o judaísmo. Os cristãos foram perseguidos, tanto por Roma como pelos judeus. Os cristãos gostaram de ver removidos ambos esses fatores, ou, então, pelo menos, de ter obtido, em alguma medida, alguma proteção romana contra as ações maldosas de determinados elementos radicais, as autoridades religiosas dos judeus. Jesus mostrou ser o Messias das profecias judaicas sobrenaturalmente comprovado. Somente a perversão voluntárias das massas populares judaicas havia forçado Paulo e Barnabé a se lançarem em uma missão entre os pagãos. Os cristãos, portanto, em realidade não eram apóstatas do judaísmo, mas representavam o verdadeiro Israel, porquanto a massa do povo terreno de Israel se recusara obstinadamente a reconhecer a mensagem de Deus, entregue por intermédio do seu próprio Messias.
Apesar de suas origens judaicas, todavia, o cristianismo deveria ser reputado como religião universal, porque não reconhecia qualquer limitação racial ou cultural. O evangelho de Lucas traça a genealogia de Jesus até Adão, e não até Abraão, e esse fato, por si mesmo, é extremamente significativo, porquanto subentende universalidade. Jesus foi declarado pelo profeta Simeão como “...luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel” (Lucas 2:32).
No evangelho de Lucas, em seu sermão inaugural, Jesus asseverou que Elias não fora enviado às muitas viúvas de Israel e, sim, a Sarepta, na terra de Sidom, ao passo que Eliseu não purificou nenhum dos muitos leprosos que haviam em Israel, mas tão somente a Naamã, o sírio. Um samaritano e não um judeu, é o herói de uma das mais coloridas parábolas do evangelho de Lucas. Quando Jesus curou os dez leprosos, apenas um, um agradecido samaritano, regressou para louvar a Deus e dar-lhe graças. Além desses fatos, também devemos notar que o próprio evangelho de Lucas prepara o caminho para o livro de Atos, que é, bem definidamente, uma descrição sobre a evangelização universal, feita pelos cristãos primitivos. E é assim que ouvimos Pedro a pregar: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável” (Atos 10:34,35). E é ali, igualmente, que encontramos as palavras de Paulo e Barnabé: “Eu te constituí para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até aos confins da terra” (Atos 13:46,47). Por conseguinte, pode-se ver claramente que um dos grandes temas deste evangelho é a – universalidade – da mensagem cristã.
Existem outros propósitos, além dessas finalidades mais latas: Lucas dá proeminência à obra do Espírito Santo. Há dezessete referências ao Espírito, no evangelho de Lucas, em comparação com as seis referências no evangelho de Marcos, e com as doze referências no evangelho de Mateus. Assim é que já nos capítulos de introdução, lemos a informação do enchimento de João Batista com o Espírito Santo. Maria recebeu a sua mensagem por agência do Espírito Santo. O Cristo que saiu por toda a parte fazendo o bem, era guiado pelo Espírito Santo, e o Senhor prometeu a mesma bênção aos seus discípulos, especialmente após a sua ressurreição. O livro de Atos dá a continuação ao mesmo notável pormenor, pois neste livro é que o Espírito Santo recebe mesmo proeminência.
Lucas salientou a vida de oração de Jesus mais do que qualquer dos demais evangelhos. Vemos isso logo após o seu batismo, imediatamente antes de haver selecionado os doze, quando passou a noite inteira em oração, e por ocasião de sua transfiguração, e até mesmo no momento da morte: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. A prática da oração, por conseguinte, tornou-se comum na igreja primitiva.
Muitos têm observado que o evangelho de Lucas demonstra um marcante interesse pelo papel das mulheres e a importância delas na tradição do evangelho. Portanto, um dos propósitos de Lucas foi o de mostrar os privilégios do sexo mais fraco no seio da igreja. É por essa razão que ali encontramos várias narrativas com essa ênfase: Maria, Isabel, a profetisa Ana, as “filhas de Jerusalém”, que lamentavam os sofrimentos e a morte de Jesus, etc. Mulheres também são destacadas no livro de Atos, como Safira, Priscila, Drusila, Berenice, Maria (mãe de João Marcos), a criada Rode, Lídia, Damaris de Atenas, as quatro filhas de Filipe, que profetizavam, e uma referência incidental de que Paulo tinha uma irmã (Atos 23:16).
Lucas procurou compensar certas grandes deficiências do evangelho de Marcos, como, por exemplo, a falta de menção das aparições de Jesus após a sua ressurreição. O propósito de Lucas era fortalecer a fé na história do sepulcro vazio, e as suas pesquisas preencheram admiravelmente essa necessidade.
O EVANGELHO SEGUNDO JOÃO


Este evangelho, em relação aos demais, é singular. Irineu, Tertuliano e Clemente de Alexandria concordam que João, o apóstolo, é o autor. Irineu é importante porque pertencia a uma geração posterior a João. Ele conheceu Policarpo e Potinos, que tinham estado com João. Irineu, em sua Epístola a Florinos, menciona que João escreveu seu evangelho após os outros evangelhos, enquanto vivia em Éfeso (Eusébio, História Eclesiástica, 5.20.6). Em Contra Heresias 3.1.2, ele afirma que o autor foi João, aquele que se inclinou sobre o peito de Jesus, e que o livro foi escrito em Éfeso.

Não só Irineu, mas também Clemente de Alexandria e Tertuliano, proveram, no século II, evidências consistentes da crença de que o apóstolo João escreveu o evangelho. Segundo Eusébio (História Eclesiástica 6.14.7), Clemente escreveu: “Mas aquele João, depois de tudo, consciente de que os fatos exteriores encontravam-se relatados nos evangelhos, a pedido de seus discípulos e, divinamente, movido pelo Espírito de Deus, compôs um evangelho espiritual”.
Não deve ter passado muito tempo desde a publicação do quarto evangelho até que ele fosse reunido aos demais, formando o evangelho quádruplo. Em outras palavras, a maior parte do evangelho de João circulava, no início como parte de um livro. Esse livro não era um rolo de pergaminho como, indubitavelmente os primeiros manuscritos o foram, mas um códice, um livro com folhas separadas, como os da atualidade, e costurado ou colado em um dos lados.
Era conhecido, simplesmente, como O Evangelho, e continha os quatro evangelhos canônicos. Depois, esse ‘evangelho’ foi dividido em partes, ‘Segundo Mateus, ‘Segundo Marcos’, ‘Segundo Lucas’, ‘Segundo João’.
Certamente, do final do século II em diante, há um acordo tácito na igreja em relação à autoria, canonicidade e autoridade do evangelho de João. Um argumento silencioso, nesse caso, mostrou-se poderoso (porque, em outras circunstâncias, seria de se esperar que a pessoa em questão fizesse muito barulho!): “É muito significativo que Eusébio, que teve acesso a muitos trabalhos que, atualmente, encontraram-se perdidos, fale sem reservas do quarto evangelho como uma inquestionável obra de João” (Westcott, 1. lix). O silêncio é ‘mais significativo’ precisamente porque cabia a Eusébio discutir os casos duvidosos.
Outras testemunhas do segundo do segundo século eram Teófilo de Antioquia, autor do Cânon Muratorium[8]. Esses testemunhos têm sido desafiados nos tempos modernos, em diferentes bases, como o silêncio de Inácio sobre João quando escreveu à Igreja efésia no inicio do segundo século, a afirmação de que um efésio com o mesmo nome, João, o Ancião, poderia ter sido o autor, ou que registros de um imediato martírio de João eliminam a possibilidade de sua autoria. Essas objeções são facilmente respondidas.
Mais graves são as alegações de que um pescador não teria condições de exibir tal entendimento do conceito teológico como foi manifestadamente demonstrado pelo autor (At 4.13). Também parece estranho que um Galileu desse uma atenção tão superficial ao ministério de Jesus na Galiléia. E se o autor fosse membro do círculo apostólico, por que deixaria de registrar uma descrição da transfiguração e da agonia do Senhor Jesus no Getsêmani, das quais teria sido uma privilegiada testemunha?
Diante de tais questões, muitos concluíram que embora João tivesse fornecido maior parte do material dos Evangelhos, outro – e provavelmente um de seus discípulos mais próximos - tenha sido o seu verdadeiro autor. Entretanto, ainda é possível sustentar a autoria de João porque nenhum argumento decisivo foi até agora apresentado, e nenhuma alternativa satisfatória tem sido oferecida. O autor estava familiarizado com Samaria (cf. 3.23; 4.5-12) e com Jerusalém antes da sua destruição em 70 d.C., conhecia seus detalhes, como foi verificada através de descobertas arqueológica feita no poço de Betesda (5.2) e no Tribunal (19.13). Parece que ele foi testemunha ocular de muitos acontecimentos (por exemplo, 6.10; 19.31-35), e era versado na terminologia religiosa corrente entre os judeus piedosos da Palestina do ano 68 d.C., de acordo com a literatura Qunram.
Durante anos foi algo popular, de acordo com F.C. Baur, da Escola de Tübingen na Alemanha, insistir que o Evangelho de João era um produto da metade do segundo século d.C. Mas o fragmento John Rylands (P52) de um texto de seu Evangelho, encontrado no Egito na época moderna, e datado pelos paleógrafos da primeira metade do segundo século, ajudou a determinar a elaboração do quarto Evangelho como próxima ao primeiro séulo. O uso de João como Evangelho autorizado, juntamente com os outros três, foi atestado pelo Papiro Egerton 2, publicado na obra Fragments of na Unknown Gospel and Other Early Christian Papyri, por H. I. Bell e T. C. Sheat (1935). Além disso, o quarto Evangelho parece ter sido citado pelo escritor gnóstico Valêncio, em seu Evangelho da Verdade, originalmente composto em aproximadamente 140 d.C.
Nas catacumbas de Roma também existem pinturas de Cristo como o Bom Pastor, e da ressurreição de Lázaro, que podem ser datadas de aproximadamente 150 d.C. Dessa forma, a origem do Evangelho de João pode ser datada aproximadamente da última metade do primeiro século, embora alguns possam aceitar uma data aqnterior, tendo Éfeso como principal local de seus escritos.

BIBLIOGRAFIA

CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos; 7ª edição, 2004. São Paulo.

BOCK, Darrell L. Jesus Segundo as Escrituras. Editora Shedd; 1ª edição, 2006. São Paulo.

CESARÉIA, Eusébio de. História Eclesiástica. Editora CPAD; 1ª edição, 1999. Rio de Janeiro.

CARSON, D. A. O Comentário de João. Editora Shedd. 2007. São Paulo.

DICIONÁRIO BÍBLICO WYCLIFFE. Editora CPAD; 1ª edição, 2006. Rio de Janeiro.

BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, Editora CPAD; 1995.

BÍBLIA APOLOGÉTICA DE ESTUDO, ICP; 2ª edição, 2005. Jundiaí, São Paulo.

[1] Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, 3.8.

[2] Papias viveu em cerca de 130 d.C., e foi discípulo do apóstolo João.

[3] Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, 5.8.

[4] Ver em At 12.12,25; 13.13; 15.37-39; 1 Pe 5.13; Fm 24; Cl 4.10; 2 Tm 4.11.

[5] ver Lc 7.36-50; 11.37-52; 14.1-24; 22.1-38; 24.36-49.
[6] Irineu Contra as heresias 3.1.1; 3.14.1

[7] Contra Marcião 4.2.2; 4.5.3

[8] O cânon Muratoriano era uma lista de livros do Novo Testamento, que deveriam ser lidos na adoração pública. O trabalho original, muito provavelmente, foi preparado em grego, embora as informações de que dispomos a respeito tenham chegado até nós mediante uma tradução latina. Aparentemente, a lista reflete o uso da Igreja Romana, em cerca de 200 d.C., e alguns vinculam isso ao trabalho de Vítor, de Roma. Esse cânon deriva o seu nome do erudito italiano Ludovico Muratori, que o encontrou na Biblioteca Ambrosiana de Milão e o publicou em 1740, como um exemplar de escrito vazado em latim bárbaro. Essa lista inclui as epistolas de Paulo, duas epístolas de João, a epístola de Judas, mas não menciona as epístolas de Pedro e nem a de Tiago. Todavia, inclui os livros Sabedoria de Salomão e o pastor de Hermas, livros esses que, afinal de contas, não foram universalmente aceitos no cânon do Novo Testamento. Entretanto, em alguns grupos protestantes, até hoje esses dois últimos livros são recomendados para a leitura em público. Esse cânon é importante pelo menos devido a três razões: primeiro mostra que a formação do cânon do Novo Testamento já estava adiantada no século II d.C., embora ainda não tivesse terminado, porquanto não contava com todos os nossos vinte e sete livros neotestamentários. Em segundo lugar, vemos que certos livros, que agora são considerados não-canônicos, chegaram a gozar de considerável prestígio. E, finalmente, que o processo de canonização dos livros do Novo Testamento ocupou um tempo considerável. Sete hereges são mencionados por nome, e seus escritos são rejeitados. (R.N. Champlin. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Ed. Hagnos).

sexta-feira, 27 de março de 2009

A MENSAGEM DE JESUS À GERAÇÃO DE LAODICÉIA (Estudo Completo)

A MENSAGEM DE JESUS CRISTO PARA A “GERAÇÃO” DE LAODICÉIA (Estudo Completo)
(Apocalipse 3.20 -22)


Ultimamente temos visto uma série de mensagens e análises sobre a situação de grande parte do cristianismo evangélico, não apenas brasileiro, mas também mundial. Seus modismos, e demais práticas contrárias a Palavra de Deus tem sido denunciados por apologistas cristãos, escritores, observadores e pelos demais cristãos sinceros.

Entretanto, é evidente que há uma aparente indiferença, proposital ou não, tanto por parte de muitos líderes e pregadores cristãos em relação a este quadro, como da multidão de seus seguidores que se “beneficiam” através de suas mensagens, que contém ofertas de bênçãos imediatas, de benefícios “aqui e agora”, que infelizmente acabaram gerando uma multidão de “decepcionados com a graça[1]”, oferecida não por Deus, mas por estes mensageiros e que acabam gerando mais uma classe daqueles que precisam ser alcançados pela evangelização e necessitando de cuidado pastoral.
Agora, a pergunta é: Se o próprio Senhor Jesus Cristo fizesse uma análise da nossa atual situação, qual seria a sua avaliação? Será que seríamos aprovados ou reprovados? Haveria alguma exortação de Sua parte e uma indicação de um caminho para seguirmos? Essa análise de Jesus se encontra na Palavra de Deus? Através deste pequeno estudo da carta do apóstolo João com a mensagem do Senhor Jesus Cristo para a Igreja de Laodicéia, veremos que através dos séculos, a mensagem de Jesus chega hoje para todos nós, os cristãos da “geração” de Laodicéia, com um dramático convite e um desafio para todos nós.

I. PARA ENTENDERMOS A MENSAGEM DE JESUS AOS CRISTÃOS LAODICENSES, PRECISAMOS PRIMEIRO ENTENDER O CONTEXTO EM QUE ELES VIVIAM.

Laodicéia era uma cidade da província romana da área da Frigia, situando-se sobre uma colina com cerca de 280 metros de altitude, a dezesseis quilômetros de Colossos, no grande vale do rio Lico, afluente do rio Meander e cerca de 144 quilômetros de Éfeso, na grande rota comercial que ia da costa até o interior da Ásia Menor. Foi fundada no século III a.C. por Selêucida Antíoco II, quando deu a ela o nome de sua esposa “Laodice”. A sua posição geográfica favorecia tanto seu desenvolvimento como sua prosperidade, pois estava situada na intercessão de rotas comerciais. Em Laodicéia havia várias indústrias como a de lã, a de tabletes medicinais e de fabricação de roupas. Também o “pó Frigio”, um remédio para os olhos cujo uso se tornou muito comum entre os gregos, parece ter surgido ali. Era tão próspera que quando houve um grande terremoto que destruiu essa cidade em torno de 60 d.C., seus moradores a reconstruíram, recusando toda forma de ajuda material oferecida pelo governo.


Foi nesse contexto que nasceu a igreja de Laodicéia. Quando Paulo escreveu a sua carta aos Colossenses, já existia uma igreja lá, embora ele ainda não tivesse visitado essa cidade pessoalmente (Cl 2.1). A preocupação de Epafras com esses irmãos sugere que ele a tenha fundado (Cl 4.12-13). Entretanto, fica evidente que aos poucos essa prosperidade atingiu a vida de nossos primeiros irmãos desta região, chegando ao ponto deprimente relatado na carta do apóstolo João, que foi escrita entre 90-96 d.C. Não se sabem sobre perseguições a esses cristãos, levando alguns a acreditarem que foram poupados dela pela sua condição financeira. Também não há registros de trabalhos evangelísticos desta igreja! Deixaram de confiar no Senhor, e passaram a confiar nas riquezas (Ap. 3.17):

“Pois dizes: sou rico, enriqueci-me e de nada mais preciso”.[2]

Confiaram nas riquezas, na sua prosperidade material. Esqueceram do Senhor, do céu, de seu retorno, da Grande comissão (Mt 28.19-20), do “ide”, de fazer discípulos. Você já viu algo parecido em algum lugar?


Esta mensagem arde em meu coração há alguns anos. Na época ainda não era um estudante assíduo da palavra de Deus, sendo um recém matriculado na ETAD, iniciando ali meus estudos teológicos a partir de um chamado específico do Senhor para o ministério da Palavra. Apesar de não ser esse estudante assíduo, não me sentia à vontade em ouvir estas mensagens triunfalistas, “vitoriosas”, ricas e prósperas. “Que contradição com a vida de Paulo, Pedro, e dos demais cristãos!”, pensei. Não tinha essa mensagem na Bíblia! Nem Paulo, Pedro ou outro apóstolo do Senhor Jesus Cristo usou como tema de sua mensagem. Felipe não usou destes temas para evangelizar. A mensagem principal era Cristo, crucificado e ressurreto (1 Co 15.3-4). Como está registrado em Atos 8.5:


“E descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo”.[3]

Assistimos hoje não apenas no Brasil, mas em outras partes do mundo, as conseqüências desta teologia chamada da prosperidade, que chegou aqui no Brasil em meados da década de 70, que promete o céu aqui na terra, uma vida de saúde e prosperidade material em todas as áreas da vida das pessoas. Teologia essa propagada pelo movimento chamado neopentecostal, que nasceu em 1960 em seguimento do movimento pentecostal do início do século XX. A força deste movimento tem se mostrado de tal modo não apenas no fato de atrair as massas, mas ainda mais: Na sua influência nas igrejas históricas, mostrada na mudança da mensagem e postura de seus pregadores e líderes. A semelhança dos Laodicenses, muitos de nós tem esperado e desejado não a Jesus e ao céu que ele prometeu (João 14.1-3), mas o céu prometido “aqui e agora” por tais ensinamentos e seus propagadores. À semelhança da igreja de Laodicéia, a “geração” - a grande parte de cristãos da atualidade - de Laodicéia, também tem se deixado perder a visão da sua razão propósito de existência e de plano eterno que Deus determinou para sua Igreja antes dos séculos (2 Tm 1.9).


II. O SENHOR JESUS REJEITARÁ ESTA “GERAÇÃO” DE CRISTÃOS LAODICENSES, SE NÃO HOUVER NELES UM ARREPENDIMENTO SINCERO!


“Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”.(Ap 3.15-16)
O Senhor Jesus Cristo quando fala a sua palavra ele não deixa ninguém confundido. Ele é claro. Para se fazer entender àquelas pessoas ele usou uma situação que os incomodavam muito naqueles dias: O problema de Laodicéia relacionado ao seu abastecimento de água. Apesar de toda riqueza e prosperidade daquela cidade, eles eram abastecidos com água através de longos encanamentos fazendo que quando a água chegasse em Laodicéia estivesse morta, imprópria para consumo, sendo usada até mesmo como emético algumas vezes. Ao contrário, sua cidade vizinha Hierápolis, possuía fontes termais que forneciam água que eram usadas para fins medicinais, e Colossos por outro lado, tinha uma refrescante água que vinha das montanhas.

Dutos que transportavam água em laodicéia

Jesus fala a eles para transmitir à eles duas verdades: O Senhor reprovava o seu estilo de vida (3.15 : Obras – gr.ergon que denota trabalho, ação,ato no sentido ético das ações humanas, boas ou ruins) e a sua mensagem (Ap 3.17). Eles tinham uma vida “misturada” com as práticas corruptas da sua sociedade e uma mensagem que não podia ser usada para cura como as águas termais de Hierápolis, muito menos refrescante para as almas sedentas como as águas vindas das montanhas de Colossos (Jo 7.37,38). Essa triste situação levou Jesus a assombrosa declaração: Vomitar-te-ei.


Independente se acreditamos ou não que estas sete igrejas representam a história da era da graça até o arrebatamento da igreja, o fato é que a nossa geração tem testemunhado uma série de situações e práticas semelhantes aos cristãos daquela igreja, o que nos faz pensar que estamos vivendo os últimos dias (1 Tm 4.1), tempos realmente “trabalhosos” (2 Tm 3.1).


Temos falhado em nossas obras. Nosso discurso em nossas igrejas tem sido diferente da nossa prática em nossa vida secular. É possível ser um cristão professo e um ateu pratico. Muitos líderes e pregadores cristãos de hoje tem sido conhecidos não por suas vidas piedosas ou por suas ungidas mensagens, ou por seus trabalhos sociais, em favor do pobre e necessitado, mas por vidas contendo práticas que são questionáveis tanto pela sociedade e imprensa como pela Palavra de Deus, bem como por suas mensagens de recheadas de auto-ajuda e confissão positiva. Isso por sua vez tem gerado uma multidão de cristãos que não são verdadeiros discípulos de Jesus, mas que apenas professam uma fé em uma denominação ou em um de seus líderes. Certa vez um dos meus professores disse a seguinte frase: “Nós pregadores, temos gerado uma multidão de filhos da ira”.


Toda esta situação influi diretamente em nosso testemunho cristão, pois afeta o nosso relacionamento com àquele que devíamos testemunhar com poder, Jesus Cristo (At 1.8). Acabamos não tendo um correto relacionamento com ele pautado em sua palavra, o que conseqüentemente gera um falso testemunho sobre a sua pessoa. Posso citar o exemplo que vi e ouvi, de uma oração feita em um púlpito através de um microfone, ao término de “uma campanha de prosperidade”. Com seus olhos fechados e apontando o seu indicador para o céu ele concluiu sua fervorosa oração dizendo: “Eu oro, crendo que assim como eu quero, assim será!”. Será que ele teve um verdadeiro encontro com Àquele que ensinou os seus discípulos a orarem: “Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu”. (Mt 6.10)?


III. A MENSAGEM DE JESUS CRISTO À “GERAÇÃO” DE LAODICÉIA NÃO É UMA MENSAGEM DE JULGAMENTO, MAS DE UM CHAMADO PARA O VERADEIRO ARREPENDIMENTO. É UMA MENSAGEM DE AMOR.


Todo este quadro acabou colocando o Senhor Jesus do lado de fora de suas vidas. Agindo assim temos feito o mesmo, colocando o Senhor Jesus fora de nossas vidas, projetos, decisões, pregando com nossas palavras e testemunho de vida um evangelho não cristocêntrico (onde Jesus deve ser o centro), mas um evangelho antropocêntrico (o homem é o centro). Entretanto o Senhor Jesus nos chama para um verdadeiro arrependimento que se manifesta em uma:


1 – Uma comunhão verdadeira com ele: “Entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3.20): Cear era a principal refeição do dia, onde as famílias conversavam e tinham comunhão. Jesus usa essa expressão como uma metáfora, nos chamando para uma comunhão sincera e verdadeira com ele, baseada na sua Palavra, que o revela e pauta a nossa vida. Para um relacionamento baseado no amor e gratidão à ele e não simplesmente no que ele tem para oferecer:


“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda este é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”. (João 14.21)


2 – Em uma luta pela Sua causa: “Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono...” (Ap 3.21). Só vence aquele que se engaja em uma luta. Somos chamados para lutarmos contra o pecado, pela sua palavra e contra Satanás e seus demônios (Ef 6.12).

CONCLUSÃO


Jesus Cristo é o Amém (aquele por quem os propósitos de Deus são estabelecidos), a testemunha fiel e Verdadeira, o principio da criação de Deus (aquele por meio do qual Deus fez todas as coisas e as sustenta – Jo 1.1-3; Cl 1.15-17; Hb 1.3). Deus, o Pai fez tudo por ele e para Ele. Ele se deleita, é seu prazer e seu propósito que seja assim, que seu Filho seja glorificado em nós e através de nós. É seu eterno propósito “... tornar congregar em Cristo todas as coisas ” (Ef 1.10).
Portanto, não caíamos no engano satânico de um evangelho que não tem Jesus Cristo e seu amor redentor como a Boa Nova, que não leva a um relacionamento sincero e verdadeiro com Ele, que não dá ousadia e graça para lutarmos e vencermos pela causa do evangelho.
Para os que aceitam o seu chamado, aos que aceitam a sua mensagem há a esperança e a certeza de agradecer a ele pela vitória alcançada nesta vida, por toda a eternidade (Ap 4.10,11).

Ev. Alan G. de Sá


[1] Ver PAULO ROMEIRO. Decepcionados com a Graça. Ed. Mundo Cristão.
[2] Bíblia de Jerusalém. Ed. Paulus.
[3] Bíblia de Estudo Pentecostal. (Almeida Revista e Corrigida). Ed. CPAD

segunda-feira, 23 de março de 2009

A MENSAGEM DE JESUSÀ GERAÇÃO DE LAODICÉIA (2ª PARTE)

I. PARA ENTENDERMOS A MENSAGEM DE JESUS AOS CRISTÃOS LAODICENSES, PRECISAMOS PRIMEIRO ENTENDER O CONTEXTO EM QUE ELES VIVIAM.

Laodicéia era uma cidade da província romana da área da Frigia, situando-se sobre uma colina com cerca de 280 metros de altitude, a dezesseis quilômetros de Colossos, no grande vale do rio Lico, afluente do rio Meander e cerca de 144 quilômetros de Éfeso, na grande rota comercial que ia da costa até o interior da Ásia Menor. Foi fundada no século III a.C. por Selêucida Antíoco II, quando deu a ela o nome de sua esposa “Laodice”. A sua posição geográfica favorecia tanto seu desenvolvimento como sua prosperidade, pois estava situada na intercessão de rotas comerciais. Em Laodicéia havia várias indústrias como a de lã, a de tabletes medicinais e de fabricação de roupas. Também o “pó Frigio”, um remédio para os olhos cujo uso se tornou muito comum entre os gregos, parece ter surgido ali. Era tão próspera que quando houve um grande terremoto que destruiu essa cidade em torno de 60 d.C., seus moradores a reconstruíram, recusando toda forma de ajuda material oferecida pelo governo.

Foi nesse contexto que nasceu a igreja de Laodicéia. Quando Paulo escreveu a sua carta aos Colossenses, já existia uma igreja lá, embora ele ainda não tivesse visitado essa cidade pessoalmente (Cl 2.1). A preocupação de Epafras com esses irmãos sugere que ele a tenha fundado (Cl 4.12-13). Entretanto, fica evidente que aos poucos essa prosperidade atingiu a vida de nossos primeiros irmãos desta região, chegando ao ponto deprimente relatado na carta do apóstolo João, que foi escrita entre 90-96 d.C. Não se sabem sobre perseguições a esses cristãos, levando alguns a acreditarem que foram poupados dela pela sua condição financeira. Também não há registros de trabalhos evangelísticos desta igreja! Deixaram de confiar no Senhor, e passaram a confiar nas riquezas (Ap. 3.17):

“Pois dizes: sou rico, enriqueci-me e de nada mais preciso”.
[1]

Confiaram nas riquezas, na sua prosperidade material. Esqueceram do Senhor, do céu, de seu retorno, da Grande comissão (Mt 28.19-20), do “ide”, de fazer discípulos. Você já viu algo parecido em algum lugar?


Esta mensagem arde em meu coração há alguns anos. Na época ainda não era um estudante assíduo da palavra de Deus, sendo um recém matriculado na ETAD, iniciando ali meus estudos teológicos a partir de um chamado específico do Senhor para o ministério da Palavra. Apesar de não ser esse estudante assíduo, não me sentia à vontade em ouvir estas mensagens triunfalistas, “vitoriosas”, ricas e prósperas. “Que contradição com a vida de Paulo, Pedro, e dos demais cristãos!”, pensei. Não tinha essa mensagem na Bíblia! Nem Paulo, Pedro ou outro apóstolo do Senhor Jesus Cristo usou como tema de sua mensagem. Felipe não usou destes temas para evangelizar. A mensagem principal era Cristo, crucificado e ressurreto (1 Co 15.3-4). Como está registrado em Atos 8.5:


“E descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo”.[2]


Assistimos hoje não apenas no Brasil, mas em outras partes do mundo, as conseqüências desta teologia chamada da prosperidade, que chegou aqui no Brasil em meados da década de 70, que promete o céu aqui na terra, uma vida de saúde e prosperidade material em todas as áreas da vida das pessoas. Teologia essa propagada pelo movimento chamado neopentecostal, que nasceu em 1960 em seguimento do movimento pentecostal do início do século XX. A força deste movimento tem se mostrado de tal modo não apenas no fato de atrair as massas, mas ainda mais: Na sua influência nas igrejas históricas, mostrada na mudança da mensagem e postura de seus pregadores e líderes. A semelhança dos Laodicenses, muitos de nós tems confiado não no céu que Jesus prometeu (João 14.1-3), mas no céu prometido “aqui e agora”.


[1] Bíblia de Jerusalém. Ed. Paulus.
[2] Bíblia de Estudo Pentecostal. (Almeida Revista e Corrigida). Ed. CPAD

domingo, 22 de março de 2009

A MENSAGEM DE JESUSÀ GERAÇÃO DE LAODICÉIA (1ª PARTE)

A MENSAGEM DE JESUS CRISTO PARA A “GERAÇÃO” DE LAODICÉIA
(Apocalipse 3.20 -22)
por Ev. Alan G. de Sá

Ultimamente temos visto uma série de mensagens e análises sobre a situação de grande parte do cristianismo evangélico, não apenas brasileiro, mas também mundial. Seus modismos, e demais práticas contrárias a Palavra de Deus tem sido denunciados por apologistas cristãos, escritores, observadores e pelos demais cristãos sinceros. Entretanto, é evidente que há uma aparente indiferença, proposital ou não, tanto por parte de muitos líderes e pregadores cristãos em relação a este quadro, como da multidão de seus seguidores que se “beneficiam” através de suas mensagens, que contém ofertas de bênçãos imediatas, de benefícios “aqui e agora”, que infelizmente acabaram gerando uma multidão de “decepcionados com a graça[1]”, oferecida não por Deus, mas por estes mensageiros e que acabam gerando mais uma classe daqueles que precisam ser alcançados pela evangelização e necessitando de cuidado pastoral.
Agora, a pergunta é: Se o próprio Senhor Jesus Cristo fizesse uma análise da nossa atual situação, qual seria a sua avaliação? Será que seríamos aprovados ou reprovados? Haveria alguma exortação de Sua parte e uma indicação de um caminho para seguirmos? Essa análise de Jesus se encontra na Palavra de Deus? Através deste pequeno estudo da carta do apóstolo João com a mensagem do Senhor Jesus Cristo para a Igreja de Laodicéia, veremos que através dos séculos, a mensagem de Jesus chega hoje para todos nós, os cristãos da “geração” de Laodicéia, com um dramático convite e um desafio para todos nós.



[1] Ver PAULO ROMEIRO. Decepcionados com a Graça. Ed. Mundo Cristão.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A Espiritualidade Enaltece a Mensagem da Cruz

(Por Alan G. de Sá. escrito originalmente para http://www.ebditaquerao.blogspot.com/)



Jesus Cristo: indubitavelmente, a vida deste homem é extraordinária, não apenas por seu extraordinário nascimento, suas extraordinárias palavras, suas extraordinárias obras, milagres, mas também por um fato extraordinário, que o distingue das demais pessoas, líderes, governantes, que passaram por este mundo: Sua cruel morte em uma cruz e sua seqüente ressurreição, três dias após. Neste breve comentário sobre a lição 13, desta valiosa revista de EBD, do Pr. José Elias Croce, tenho o prazer de falar sobre a cruz de Cristo e seu significado para nós.

A cruz e o seu significado histórico

A crucificação é um modo muito antigo de execução. O stauros (vocábulo grego) para poste e cruz, era um poste de madeira, com pontas afiadas onde as vítimas eram lançadas e colocadas para serem torturadas. A crucificação era um instrumento conhecido como a punição mais cruel e vergonhosa, usada pelos gregos e romanos, mas já conhecida dos fenícios, de quem provavelmente gregos e romanos herdaram esse modo de execução. No império romano eram condenados nela os piores criminosos, escravos e assaltantes, autores e cúmplices de revoltas, e acontecia também vez por outra nas províncias para divertimento dos governadores.
Os condenados a crucificação eram espancados ou açoitados, primeiro com um instrumento chamado flagrum, que era um chicote com várias tiras de couro, onde era colocada nas pontas bolas de chumbo ou ossos de carneiro. Em seguida, a vítima era forçada a carregar o pesado patibulum, ou a barra transversal da sua cruz até o local de execução. Vemos a intensidade dos sofrimentos de Jesus Cristo mesmo antes da crucificação, nos relatos bíblicos de que ele estava fraco demais para carregar a sua cruz, sendo necessário que ele fosse auxiliado por Simão, de Cirene (Mt 27.32; Mc 15.21; Lc 23.26), após uma noite de tortura e açoites.
Nos dias de Jesus, existiam diversos tipos de cruz usados pelos romanos para execução. Acredita-se que Jesus foi crucificado na crux immissa, ou cruz latina, visto que as Escrituras declaram que a inscrição “Este é Jesus, o rei dos judeus”, foi colocada sobre a sua cabeça (Mt 27.37; Mc 15.26; Lc 23.38; Jo 19.19).
No Antigo Testamento, a morte era por apedrejamento (Dt 21.20,21), e assim o corpo morto era pendurado em uma árvore ou estaca para servir de advertência às pessoas (Dt 21.22,23; Js 10.26). Era considerado entre os judeus como um ato de maldição. Essa é a base de Gálatas 3.13)
Quando sabemos o significado histórico da cruz, percebemos porque era “escândalo para os judeus e escândalos para os gregos” a mensagem de um Messias crucificado (I Co 1.22,23).

A cruz de Cristo: O início do caminho da espiritualidade.

O inicio do caminho da espiritualidade começa na cruz. Pois diante da cruz de Cristo morremos para o mundo, para o pecado e nascemos para Deus, em Cristo, em novidade de vida (Rm. 6.1ss; Gl 6.14). Agora ele vive para Deus, como Paulo escreve: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo não mais eu, mais Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20)



A Mensagem da Cruz de Cristo

Eis alguns efeitos da cruz de Cristo:

1- Substituição pelos pecadores (Is 53.4-6; Mt 20.28; II Co 5.21; I Tm 2.5,6; Hb 2.9; 1 Pe 3.18);
2- Mediação entre Deus e os homens (Cl 1.20). Ele estabeleceu a paz pelo sangue da sua cruz ( I Co 15.25-28; Jo 7.38; 16.7, 14.16, At 2.33 e Gl 3.13,14);
3- Base da intercessão pelos pecadores (I Tm 2.5,6; I Jo 2.1,2; Ap 5.6; Fl 2.8-10).
4- A cruz é a base do perdão: o perdão consiste na purificação do pecado. É o saldar ou apagar as antigas dívidas. (Rm 3.25; 4.7; Atos 2.38)
5- Serve para a salvação de Israel (Rm 11.25-27). Mas aí também está indicado a salvação pessoal;
6- Serve de base para as bênçãos milenares e eternas que sobrevirão a todas as nações (Ap 21.23; Mt 25.31-46; Is 60.3,12; 61.9; 62.2, Atos15.17);
7- Significa a derrota dos poderes das trevas (Ap 2.14-15; Ap 12.7; Mt 25.41).
8- A cruz é a base da purificação entre judeus e gentios, no seio da Igreja Cristã (Ef 2.11,12).

A Mensagem do Cristo da Cruz.

Jesus ainda hoje chama os seus discípulos a negarem a si mesmos, tomar a sua cruz a cada dia e seguí-Lo (Mt 16.24-26; Mc 8.34-9.1; Lc 9.23-27). Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb 13.38).
Muitos pensam que carregar a cruz é suportar um problema, ou dificuldade, mas carregar a cruz significa suportar toda a rejeição e até ridicularização, por parte do mundo que nos sobrevêm por sermos seguidores de Cristo.
Significa também a renúncia dos nossos interesses pessoais, do nosso eu por amor à Jesus Cristo.
“Discípulo sem cruz, não é discípulo de Jesus”. (Pr. João Duque)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Conseqüências da Evolução.
24/02/2009
Por Alexandre Oliveira
Aluno do 3º ano de Teologia da FAESP - Noturno.

No ultimo dia 12 de fevereiro comemoramos os duzentos anos do nascimento de Charles Robert Darwin. Em 1809 veio ao mundo uma criança que ao lado de Karl Marx e Sigmund Freud formaria o trio de pensadores do século XIX. Marx Lançou o comunismo, uma nova forma de organizar a sociedade, Freud inovou na arte de compreensão do ser humano, agora, Darwin, este foi alem de todas as expectativas. Estudou medicina, e para nosso espanto também estudou teologia, mais foi na biologia que encontrou a sua verdadeira vocação, tornou-se um biólogo naturalista, que em sua famosa expedição de cinco anos pela costa sul-americana a bordo do navio Beagle, desenvolveu a sua teoria sobre a vida natural.

Publicou sua teoria no dia 24 de novembro de 1859 na obra “A origem das espécies” revolucionando o pensamento humano, essa teoria consiste que as espécies evoluem para se adaptar melhor ao seu habitat natural. Em 1871 aprimorou esta obra lançando “A Descendência do Homem” que trouxe uma explicação para a origem do homem, colocando-o na ordem dos primatas, ao lado de chipanzés, gorilas e orangotangos, declarando publicamente que o homem tem sua descendência no macaco.

Vivemos em um país democrático de direito, ou seja, todos os cidadãos participantes da sociedade em questão têm direitos iguais perante a lei e observando a maioria das constituições mundiais atuais, para o nosso alivio, concluímos que em sua maioria o parentesco só é reconhecido até o quarto grau. Suponhamos que a lei não limitasse o número máximo para o reconhecimento do parentesco. Já imaginou quanto à águia ganharia de royalties do governo americano? Ou falcão? Quanto o elefante africano ganharia para ceder os seus direitos de imagem para o Parque Nacional da África?

Recentemente levei os meus filhos para passear no zoológico, após passar pela jaula do urso nos deu vontade de observar o lobo guará. Era uma jaula na extremidade lateral do parque, um lugar cercado de arvores, formava um lindo bosque, em meio as arvores, estava lá, o recinto dos lobos guarás. Foi neste momento que meu consciente perguntou, e a jaula dos Homo sapiens, onde será? Um leve sorriso veio ao meu rosto e imediatamente lembrei-me de Darwin. Bom se o zoológico é um lugar de demonstração em cativeiro das espécies, onde será então a jaula dos primata-mor? Confesso que não achei. Já cansado do passeio, decidimos ir embora, para minha surpresa encontrei a tal jaula dos descendentes dos gorilas. Ela tinha 60 cm², o Homo sapiens tinha um nome carinhoso atribuídos pelos visitantes, guarda João.

Viva Darwin...

segunda-feira, 2 de março de 2009

O DIA DA EXPIAÇÃO

O DIA DA EXPIAÇÃO
por Ev. Alan G. de Sá


Foi instituído como estatuto permanente por Moisés, como dia de expiação pelos pecados no décimo dia do mês de Tirsri (setembro/outubro). Essa grande festividade, assim como as outras, começava ao pôr do sol do dia anterior, prolongando-se por 24 horas, até o pôr do sol do outro dia, conforme os rabinos recomendavam, até que três estrelas fossem vistas no horizonte.
O propósito que transparece neste dia é que este dia servia de lembrete de que os holocaustos diários, semanais e mensais, feitos sobre o altar das ofertas queimadas não eram suficientes para fazer a expiação pelo pecado. Até mesmo no caso das ofertas feitas sobre o altar das ofertas queimadas, o adorador mantinha-se afastado, incapaz de aproximar-se da santa presença de Deus, o qual se manifestava entre os querubins, sobre o propiciatório, nos Santos dos Santos. Somente neste dia era feita plena expiação, simbólica no interior dos Santos dos Santos.
Essa restrição também mostrava que o pecado é um obstáculo para se acessar a presença de Deus, com liberdade.
Havia neste dia uma série de normas e proibições para a execução de sua cerimônia, sobretudo para o sumo sacerdote. Elas estão escritas no capítulo 16 do livro de levítico. Ele tinha uma série de normas a serem observadas neste dia, pois era o único dia do ano que ele entraria no Santo dos Santos para fazer expiação pelo pecado dele, sua família e da nação (Lv 16.5, 6, 15; Hb 9.7) . De fato neste dia o sumo sacerdote entrava nos santos dos santos por quatro vezes:


1.Na primeira vez ele trazia o incensário de ouro e o vaso cheio de incenso. Após ter entrado ele colocava o incensário entre as duas extremidades dos Santos dos Santos e o incenso sobre os carvões acesos. Então, ele retirava-se de costas para nunca dar as costas para o Santo dos Santos. (Lv 16.12, 13);
2.Na segunda entrada ele levava consigo o sangue do animal oferecido em expiação pelos pecados por si e pelos demais sacerdotes; colocava-se entre as duas extremidades do Santo dos Santos, imergia um dedo no sangue e o aspergia por sete vezes em baixo e por uma vez em cima do propiciatório. Tendo feito isso, deixava a bacia e voltava novamente.
3.O sumo sacerdote entrava com o sangue do carneiro oferecido pelos pecados da nação, com o qual aspergia na direção do véu dos Santos dos Santos, nos chifres do altar de incenso, e após derramava no assoalho do altar das ofertas queimadas, após ter saído levando as bacias com sangue para fora.
4.Na quarta vez, o sumo sacerdote adentrava o Santo dos Santos meramente para buscar o incensário e o vaso de incenso. Isso fica claro em face da variedade dos ritos realizados, conforme relatado nas descrições de Levítico 16.12,14, 15. A expressão “uma vez por ano”, em Hb 9.7, mostra que ele entrava ali “uma vez por ano”, não dizendo respeito às várias entradas que constituíam a entrada neste dia.


O sumo sacerdote era a única pessoa que podia fazer isso e nos dias do Novo Testamento, a fim de não haver erro, ele era cuidadosamente vestido pelos anciãos e praticava diariamente o ritual na semana anterior.
As consciências ficavam limpas pelo bode remanescente, que recebia os pecados do povo pela imposição de mãos (Lv 16.21, 22). Ele era depois levado ao deserto e solto ali para simbolizar a remoção do pecado. Esse animal era conhecido como bode expiatório. As carcaças dos animais sacrificados eram então queimadas longe dali. O escritor de hebreus considerou toda a cerimônia deste dia como uma figura imperfeita do que Jesus fez por nós (Hb 9.7-14; 10.19-22; 13.11,12).

MAS, O QUE SIGNIFICA O TERMO EXPIAR?

A Palavra “expiar” (hebraico Kãphar) como verbo quer dizer “cobrir, reconciliar, propiciar, pacificar”. Esta raiz é encontrada no idioma hebraico em todos os períodos de sua história, e talvez seja mais bem conhecida do termo Yom Kippur, “Dia da Expiação”. Ocorre com mais freqüência no livro de Levítico. No capítulo 16 de Levítico, é encontrado pelo menos 16 vezes, como vemos, o grande capítulo relativo ao dia da expiação.
Como substantivo (kappõret) significa “propiciatório, assento da misericórdia, trono da clemência”. Esta forma do substantivo kãphar refere-se a uma laje de ouro que ficava em cima da arca do concerto, onde ficavam os querubins, um de frente para o outro. No dia da Expiação, o sumo sacerdote borrifava sobre ela o sangue da oferta pelo pecado, simbolizando a aceitação do sangue por Deus. Assim o Kappõret era o ponto central no qual Israel, por meio do seu sumo sacerdote, podia entrar na presença de Deus.
A idéia básica da expiação está ligada à reparação de um mal, à satisfação das exigências da justiça por meio do pagamento da penalidade.

A LIÇÃO DO “DIA DA EXPIAÇÃO” VALE APENAS PARA O POVO JUDEU?

Na verdade, não. Como vimos na palavra de Deus, o propósito deste dia era buscar o perdão dos pecados da nação Israelita e a sua aceitação por Deus. Esse desejo de ser perdoado e aceito por Deus na verdade, existe dentro de todo ser humano. Até na vida dos que se dizem ateus, este desejo se manifesta no vazio e na mera visão cíclica da vida “nascer-viver-morrer”. No fundo todo ser humano sabe que ele tem um destino eterno, porém ao mesmo tempo que ele tem esta consciência, ele também sabe que ele é indigno, de que alguma forma ele não está pronto para encarar tal destino. Por exemplo:
Don Richardson, em seu livro “O Fator Melquisedeque” fala-nos sobre um povo que vive na Indonésia, por nome Dyaks, de Bornéu. Esse povo, antigos caçadores de cabeças, e que agora por conflitos políticos tem retornado esta prática, que nunca ouviram falar de “Dia da Expiação” dos judeus, tinha um costume semelhante. Uma vez por ano toda a aldeia e seus anciões se reunia à beira de um rio. Os artesãos da tribo faziam um barco que era entregue nas mãos doa anciãos da tribo que cuidadosamente era colocado à margem do rio próximo da Aldeia onde moravam, chamada Anik. Estes escolhiam duas galinhas do bando da Aldeia, enquanto toda a aldeia olhava. Os anciãos, depois de verificarem se as duas galinhas estavam sadias, ele matava uma delas e colocava o seu sangue à margem do rio, e a outra era amarrada viva na extremidade do barco, junto com uma lâmpada amarrada na outra extremidade. Depois, cada habitante da Aldeia vinha e depositava algo invisível, que eles chamavam de “Dosaku!”, “meu pecado”. Depois os anciãos colocavam o barco no rio cuidadosamente e esperavam ele sumir na correnteza. Caso ele voltasse para a margem ou encalhasse em algo invisível, seria um ano de ansiedade, até o próximo ritual. Porém se o barquinho desaparecesse na curva do rio todo o povo gritava: “Selamat! Selamat! Selamat!” (Estamos salvos, Estamos salvos). Mas só até o próximo ano!
Toda essa conscientização em relação ao pecado, assim como ocorreu com o povo judeu, cremos que foi dada por Deus ao coração de todo ser humano. Qual a solução que Deus oferece então para judeus e gentios?


JESUS CRISTO É O CUMPRIMENTO DO DIA DA EXPIAÇÃO

O autor de Hebreus realça o cumprimento do dia da expiação em Jesus Cristo (Hb 9.6-10.18). Ele é tanto o cordeiro sacrificado como aquele que leva os pecados embora, Jesus é “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29).
Estes sacrifícios apontavam para Jesus, que ao contrário dos sumos sacerdotes anteriores que precisavam repetir anualmente estes sacrifícios tanto por eles mesmos, como pela nação, Cristo veio para remover permanentemente todo o pecado confessado (Hb 9.28; 10.10-18).
Os dois bodes representam o perdão, a expiação, a reconciliação e a purificação consumada por Cristo. O bode que era sacrificado representam a morte vicária (substituta) e sacrificial de Cristo pelos pecadores, para remissão dos seus pecados (Rm 3.24-26; Hb 9.11,12,24-26). O bode expiatório, conduzido para longe, levando os pecados da nação, tipifica o sacrifício de Cristo, que remove o pecado e a culpa de todos quantos se arrependem (Sl 103.12; Is 53.6,11,12; Jo 1.29; Hb 9.26)
O lugar santíssimo onde o sacerdote oferecia a expiação simbolizava o trono de Deus nos céu. Cristo entrou lá após sua morte e, com seu próprio sangue, fez expiação para o crente perante o trono de Deus (Êx 30.10; Hb 9.7,8,11,12,24-28)
Jesus efetuou o pagamento para Deus de nossos pecados de uma vez por todas!

Deus abençoe a todos e Bons estudos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

CHAMOLIN, Russel Norman. Enciclopédia de Teologia e Filosofia. Ed Hagnos
GOWER, Ralph. Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. Ed. CPAD
DICIONÀRIO VINE. Ed CPAD
DICIONÁRIO WICLLIFF. Ed. CPAD
RICHARDSON, Don. O Fator Mesquisedeque. Ed. Vida Nova
BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Ed. CPAD

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