segunda-feira, 23 de março de 2009

A MENSAGEM DE JESUSÀ GERAÇÃO DE LAODICÉIA (2ª PARTE)

I. PARA ENTENDERMOS A MENSAGEM DE JESUS AOS CRISTÃOS LAODICENSES, PRECISAMOS PRIMEIRO ENTENDER O CONTEXTO EM QUE ELES VIVIAM.

Laodicéia era uma cidade da província romana da área da Frigia, situando-se sobre uma colina com cerca de 280 metros de altitude, a dezesseis quilômetros de Colossos, no grande vale do rio Lico, afluente do rio Meander e cerca de 144 quilômetros de Éfeso, na grande rota comercial que ia da costa até o interior da Ásia Menor. Foi fundada no século III a.C. por Selêucida Antíoco II, quando deu a ela o nome de sua esposa “Laodice”. A sua posição geográfica favorecia tanto seu desenvolvimento como sua prosperidade, pois estava situada na intercessão de rotas comerciais. Em Laodicéia havia várias indústrias como a de lã, a de tabletes medicinais e de fabricação de roupas. Também o “pó Frigio”, um remédio para os olhos cujo uso se tornou muito comum entre os gregos, parece ter surgido ali. Era tão próspera que quando houve um grande terremoto que destruiu essa cidade em torno de 60 d.C., seus moradores a reconstruíram, recusando toda forma de ajuda material oferecida pelo governo.

Foi nesse contexto que nasceu a igreja de Laodicéia. Quando Paulo escreveu a sua carta aos Colossenses, já existia uma igreja lá, embora ele ainda não tivesse visitado essa cidade pessoalmente (Cl 2.1). A preocupação de Epafras com esses irmãos sugere que ele a tenha fundado (Cl 4.12-13). Entretanto, fica evidente que aos poucos essa prosperidade atingiu a vida de nossos primeiros irmãos desta região, chegando ao ponto deprimente relatado na carta do apóstolo João, que foi escrita entre 90-96 d.C. Não se sabem sobre perseguições a esses cristãos, levando alguns a acreditarem que foram poupados dela pela sua condição financeira. Também não há registros de trabalhos evangelísticos desta igreja! Deixaram de confiar no Senhor, e passaram a confiar nas riquezas (Ap. 3.17):

“Pois dizes: sou rico, enriqueci-me e de nada mais preciso”.
[1]

Confiaram nas riquezas, na sua prosperidade material. Esqueceram do Senhor, do céu, de seu retorno, da Grande comissão (Mt 28.19-20), do “ide”, de fazer discípulos. Você já viu algo parecido em algum lugar?


Esta mensagem arde em meu coração há alguns anos. Na época ainda não era um estudante assíduo da palavra de Deus, sendo um recém matriculado na ETAD, iniciando ali meus estudos teológicos a partir de um chamado específico do Senhor para o ministério da Palavra. Apesar de não ser esse estudante assíduo, não me sentia à vontade em ouvir estas mensagens triunfalistas, “vitoriosas”, ricas e prósperas. “Que contradição com a vida de Paulo, Pedro, e dos demais cristãos!”, pensei. Não tinha essa mensagem na Bíblia! Nem Paulo, Pedro ou outro apóstolo do Senhor Jesus Cristo usou como tema de sua mensagem. Felipe não usou destes temas para evangelizar. A mensagem principal era Cristo, crucificado e ressurreto (1 Co 15.3-4). Como está registrado em Atos 8.5:


“E descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo”.[2]


Assistimos hoje não apenas no Brasil, mas em outras partes do mundo, as conseqüências desta teologia chamada da prosperidade, que chegou aqui no Brasil em meados da década de 70, que promete o céu aqui na terra, uma vida de saúde e prosperidade material em todas as áreas da vida das pessoas. Teologia essa propagada pelo movimento chamado neopentecostal, que nasceu em 1960 em seguimento do movimento pentecostal do início do século XX. A força deste movimento tem se mostrado de tal modo não apenas no fato de atrair as massas, mas ainda mais: Na sua influência nas igrejas históricas, mostrada na mudança da mensagem e postura de seus pregadores e líderes. A semelhança dos Laodicenses, muitos de nós tems confiado não no céu que Jesus prometeu (João 14.1-3), mas no céu prometido “aqui e agora”.


[1] Bíblia de Jerusalém. Ed. Paulus.
[2] Bíblia de Estudo Pentecostal. (Almeida Revista e Corrigida). Ed. CPAD

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