sexta-feira, 24 de abril de 2009

RELANÇAMENTO

A MENSAGEM DE JESUS À GERAÇÃO DE LAODICÉIA (Estudo Completo)

A MENSAGEM DE JESUS CRISTO PARA A “GERAÇÃO” DE LAODICÉIA (Estudo Completo)(Apocalipse 3.20 -22)


Ultimamente temos visto uma série de mensagens e análises sobre a situação de grande parte do cristianismo evangélico, não apenas brasileiro, mas também mundial. Seus modismos, e demais práticas contrárias a Palavra de Deus tem sido denunciados por apologistas cristãos, escritores, observadores e pelos demais cristãos sinceros.


Entretanto, é evidente que há uma aparente indiferença, proposital ou não, tanto por parte de muitos líderes e pregadores cristãos em relação a este quadro, como da multidão de seus seguidores que se “beneficiam” através de suas mensagens, que contém ofertas de bênçãos imediatas, de benefícios “aqui e agora”, que infelizmente acabaram gerando uma multidão de “decepcionados com a graça[1]”, oferecida não por Deus, mas por estes mensageiros e que acabam gerando mais uma classe daqueles que precisam ser alcançados pela evangelização e necessitando de cuidado pastoral.Agora, a pergunta é: Se o próprio Senhor Jesus Cristo fizesse uma análise da nossa atual situação, qual seria a sua avaliação? Será que seríamos aprovados ou reprovados? Haveria alguma exortação de Sua parte e uma indicação de um caminho para seguirmos? Essa análise de Jesus se encontra na Palavra de Deus? Através deste pequeno estudo da carta do apóstolo João com a mensagem do Senhor Jesus Cristo para a Igreja de Laodicéia, veremos que através dos séculos, a mensagem de Jesus chega hoje para todos nós, os cristãos da “geração” de Laodicéia, com um dramático convite e um desafio para todos nós.


I. PARA ENTENDERMOS A MENSAGEM DE JESUS AOS CRISTÃOS LAODICENSES, PRECISAMOS PRIMEIRO ENTENDER O CONTEXTO EM QUE ELES VIVIAM.
Laodicéia era uma cidade da província romana da área da Frigia, situando-se sobre uma colina com cerca de 280 metros de altitude, a dezesseis quilômetros de Colossos, no grande vale do rio Lico, afluente do rio Meander e cerca de 144 quilômetros de Éfeso, na grande rota comercial que ia da costa até o interior da Ásia Menor. Foi fundada no século III a.C. por Selêucida Antíoco II, quando deu a ela o nome de sua esposa “Laodice”. A sua posição geográfica favorecia tanto seu desenvolvimento como sua prosperidade, pois estava situada na intercessão de rotas comerciais. Em Laodicéia havia várias indústrias como a de lã, a de tabletes medicinais e de fabricação de roupas. Também o “pó Frigio”, um remédio para os olhos cujo uso se tornou muito comum entre os gregos, parece ter surgido ali. Era tão próspera que quando houve um grande terremoto que destruiu essa cidade em torno de 60 d.C., seus moradores a reconstruíram, recusando toda forma de ajuda material oferecida pelo governo.

Foi nesse contexto que nasceu a igreja de Laodicéia. Quando Paulo escreveu a sua carta aos Colossenses, já existia uma igreja lá, embora ele ainda não tivesse visitado essa cidade pessoalmente (Cl 2.1). A preocupação de Epafras com esses irmãos sugere que ele a tenha fundado (Cl 4.12-13). Entretanto, fica evidente que aos poucos essa prosperidade atingiu a vida de nossos primeiros irmãos desta região, chegando ao ponto deprimente relatado na carta do apóstolo João, que foi escrita entre 90-96 d.C. Não se sabem sobre perseguições a esses cristãos, levando alguns a acreditarem que foram poupados dela pela sua condição financeira. Também não há registros de trabalhos evangelísticos desta igreja! Deixaram de confiar no Senhor, e passaram a confiar nas riquezas (Ap. 3.17):“Pois dizes: sou rico, enriqueci-me e de nada mais preciso”.[2]Confiaram nas riquezas, na sua prosperidade material. Esqueceram do Senhor, do céu, de seu retorno, da Grande comissão (Mt 28.19-20), do “ide”, de fazer discípulos. Você já viu algo parecido em algum lugar?

Esta mensagem arde em meu coração há alguns anos. Na época ainda não era um estudante assíduo da palavra de Deus, sendo um recém matriculado na ETAD, iniciando ali meus estudos teológicos a partir de um chamado específico do Senhor para o ministério da Palavra. Apesar de não ser esse estudante assíduo, não me sentia à vontade em ouvir estas mensagens triunfalistas, “vitoriosas”, ricas e prósperas. “Que contradição com a vida de Paulo, Pedro, e dos demais cristãos!”, pensei. Não tinha essa mensagem na Bíblia! Nem Paulo, Pedro ou outro apóstolo do Senhor Jesus Cristo usou como tema de sua mensagem. Felipe não usou destes temas para evangelizar. A mensagem principal era Cristo, crucificado e ressurreto (1 Co 15.3-4). Como está registrado em Atos 8.5:

“E descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo”.[3]

Assistimos hoje não apenas no Brasil, mas em outras partes do mundo, as conseqüências desta teologia chamada da prosperidade, que chegou aqui no Brasil em meados da década de 70, que promete o céu aqui na terra, uma vida de saúde e prosperidade material em todas as áreas da vida das pessoas. Teologia essa propagada pelo movimento chamado neopentecostal, que nasceu em 1960 em seguimento do movimento pentecostal do início do século XX. A força deste movimento tem se mostrado de tal modo não apenas no fato de atrair as massas, mas ainda mais: Na sua influência nas igrejas históricas, mostrada na mudança da mensagem e postura de seus pregadores e líderes. A semelhança dos Laodicenses, muitos de nós tem esperado e desejado não a Jesus e ao céu que ele prometeu (João 14.1-3), mas o céu prometido “aqui e agora” por tais ensinamentos e seus propagadores. À semelhança da igreja de Laodicéia, a “geração” - a grande parte de cristãos da atualidade - de Laodicéia, também tem se deixado perder a visão da sua razão propósito de existência e de plano eterno que Deus determinou para sua Igreja antes dos séculos (2 Tm 1.9).

II. O SENHOR JESUS REJEITARÁ ESTA “GERAÇÃO” DE CRISTÃOS LAODICENSES, SE NÃO HOUVER NELES UM ARREPENDIMENTO SINCERO!

“Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”.(Ap 3.15-16)

O Senhor Jesus Cristo quando fala a sua palavra ele não deixa ninguém confundido. Ele é claro. Para se fazer entender àquelas pessoas ele usou uma situação que os incomodavam muito naqueles dias: O problema de Laodicéia relacionado ao seu abastecimento de água. Apesar de toda riqueza e prosperidade daquela cidade, eles eram abastecidos com água através de longos encanamentos fazendo que quando a água chegasse em Laodicéia estivesse morta, imprópria para consumo, sendo usada até mesmo como emético algumas vezes. Ao contrário, sua cidade vizinha Hierápolis, possuía fontes termais que forneciam água que eram usadas para fins medicinais, e Colossos por outro lado, tinha uma refrescante água que vinha das montanhas.

Jesus fala a eles para transmitir à eles duas verdades: O Senhor reprovava o seu estilo de vida (3.15 : Obras – gr.ergon que denota trabalho, ação,ato no sentido ético das ações humanas, boas ou ruins) e a sua mensagem (Ap 3.17). Eles tinham uma vida “misturada” com as práticas corruptas da sua sociedade e uma mensagem que não podia ser usada para cura como as águas termais de Hierápolis, muito menos refrescante para as almas sedentas como as águas vindas das montanhas de Colossos (Jo 7.37,38). Essa triste situação levou Jesus a assombrosa declaração: Vomitar-te-ei.

Independente se acreditamos ou não que estas sete igrejas representam a história da era da graça até o arrebatamento da igreja, o fato é que a nossa geração tem testemunhado uma série de situações e práticas semelhantes aos cristãos daquela igreja, o que nos faz pensar que estamos vivendo os últimos dias (1 Tm 4.1), tempos realmente “trabalhosos” (2 Tm 3.1).

Temos falhado em nossas obras. Nosso discurso em nossas igrejas tem sido diferente da nossa prática em nossa vida secular. É possível ser um cristão professo e um ateu pratico. Muitos líderes e pregadores cristãos de hoje tem sido conhecidos não por suas vidas piedosas ou por suas ungidas mensagens, ou por seus trabalhos sociais, em favor do pobre e necessitado, mas por vidas contendo práticas que são questionáveis tanto pela sociedade e imprensa como pela Palavra de Deus, bem como por suas mensagens de recheadas de auto-ajuda e confissão positiva. Isso por sua vez tem gerado uma multidão de cristãos que não são verdadeiros discípulos de Jesus, mas que apenas professam uma fé em uma denominação ou em um de seus líderes. Certa vez um dos meus professores disse a seguinte frase: “Nós pregadores, temos gerado uma multidão de filhos da ira”.


Toda esta situação influi diretamente em nosso testemunho cristão, pois afeta o nosso relacionamento com àquele que devíamos testemunhar com poder, Jesus Cristo (At 1.8). Acabamos não tendo um correto relacionamento com ele pautado em sua palavra, o que conseqüentemente gera um falso testemunho sobre a sua pessoa. Posso citar o exemplo que vi e ouvi, de uma oração feita em um púlpito através de um microfone, ao término de “uma campanha de prosperidade”. Com seus olhos fechados e apontando o seu indicador para o céu ele concluiu sua fervorosa oração dizendo: “Eu oro, crendo que assim como eu quero, assim será!”. Será que ele teve um verdadeiro encontro com Àquele que ensinou os seus discípulos a orarem: “Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu”. (Mt 6.10)?


III. A MENSAGEM DE JESUS CRISTO À “GERAÇÃO” DE LAODICÉIA NÃO É UMA MENSAGEM DE JULGAMENTO, MAS DE UM CHAMADO PARA O VERADEIRO ARREPENDIMENTO. É UMA MENSAGEM DE AMOR.


Todo este quadro acabou colocando o Senhor Jesus do lado de fora de suas vidas. Agindo assim temos feito o mesmo, colocando o Senhor Jesus fora de nossas vidas, projetos, decisões, pregando com nossas palavras e testemunho de vida um evangelho não cristocêntrico (onde Jesus deve ser o centro), mas um evangelho antropocêntrico (o homem é o centro). Entretanto o Senhor Jesus nos chama para um verdadeiro arrependimento que se manifesta em uma:

1 – Uma comunhão verdadeira com ele: “Entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele comigo” (Ap 3.20): Cear era a principal refeição do dia, onde as famílias conversavam e tinham comunhão. Jesus usa essa expressão como uma metáfora, nos chamando para uma comunhão sincera e verdadeira com ele, baseada na sua Palavra, que o revela e pauta a nossa vida. Para um relacionamento baseado no amor e gratidão à ele e não simplesmente no que ele tem para oferecer:

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda este é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”. (João 14.21)

2 – Em uma luta pela Sua causa: “Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono...” (Ap 3.21). Só vence aquele que se engaja em uma luta. Somos chamados para lutarmos contra o pecado, pela sua palavra e contra Satanás e seus demônios (Ef 6.12).
CONCLUSÃO

Jesus Cristo é o Amém (aquele por quem os propósitos de Deus são estabelecidos), a testemunha fiel e Verdadeira, o principio da criação de Deus (aquele por meio do qual Deus fez todas as coisas e as sustenta – Jo 1.1-3; Cl 1.15-17; Hb 1.3). Deus, o Pai fez tudo por ele e para Ele. Ele se deleita, é seu prazer e seu propósito que seja assim, que seu Filho seja glorificado em nós e através de nós. É seu eterno propósito “... tornar congregar em Cristo todas as coisas ” (Ef 1.10).Portanto, não caíamos no engano satânico de um evangelho que não tem Jesus Cristo e seu amor redentor como a Boa Nova, que não leva a um relacionamento sincero e verdadeiro com Ele, que não dá ousadia e graça para lutarmos e vencermos pela causa do evangelho.Para os que aceitam o seu chamado, aos que aceitam a sua mensagem há a esperança e a certeza de agradecer a ele pela vitória alcançada nesta vida, por toda a eternidade (Ap 4.10,11).


Ev. Alan G. de Sá
http://manejandobemapalavradaverdade.blogspot.com/2009/03/mensagem-de-jesus-geracao-de-laodiceia.html

[1] Ver PAULO ROMEIRO. Decepcionados com a Graça. Ed. Mundo Cristão.
[2] Bíblia de Jerusalém. Ed. Paulus.
[3] Bíblia de Estudo Pentecostal. (Almeida Revista e Corrigida). Ed. CPAD
MUITO OBRIGADO PELA INDICAÇÃO E RECONHECIMENTO

Tive a honra de receber do irmã Vanessa Dutra (http://www.reflexaocristamoderna.blogspot.com/) a indicação para receber o selo dos Melhores Blogs da Cristandade. Agradeço-lhe muito!Conforme as regras, indico agora 7 blogs para receberem o selo:


Para receber o selo, é necessário seguir as seguintes regras:
1) Colocar o link do blog que ofereceu o prêmio ao seu blog;
2) Escolher outros sete blogs de conteúdo cristão (não importando a corrente ou denominação) para receber a premiação e colocar seus links no post que consta a premiação;
3) Comunicar os blogs premiados;
4) Colocar as regras e a imagem do selo no post de premiação

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