segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ARMINIANISMO E CALVINISMO: A ANTIGA CONTROVÉRSIA TEOLÓGICA.

No dia 19/10/2009, nós alunos do 3ªano da FAESP participamos de um interessante e edificante debate sobre essa antiga controvérsia teológica entre os seguidores de Calvino e Arminio, em relação a salvação em Jesus Cristo. Nosso professor orientador foi o Prof. Mathias Acácio. Devido a chuva, estávamos em pouco número, entretanto o conteúdo apresentado pelos irmãos foi de um nível muito bom. ABAIXO ESTÁ O TEXTO USADO POR NOSSO GRUPO, QUE DEFENDEU O ARMINIANISMO (Eu também estava lá, falei e tirei as fotos!!!)  Um abraço a todos leitores do blog e alunos da FAESP.

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ARMINIANISMO E CALVINISMO: A ANTIGA CONTROVÉRSIA TEOLÓGICA.

Você é arminianista ou calvinista? Com certeza, em algum momento de nossa vida cristã nos deparamos ou ainda vamos nos deparar com este tipo de pergunta, quando o assunto é teologia e salvação, especificamente na questão da “predestinação”, “eleição”, “livre-arbítrio” como seus temas de debates principais. Vamos conhecer um pouco de seus principais representantes assim como seus pensamentos, antes que cada um de nós tire suas conclusões.

JOÃO CALVINO E O CALVINISMO

João Calvino foi teólogos protestantes francês, que viveu entre 1509-1564, líder eclesiástico e denominacional. Era uma pessoa de mente brilhante, e um estudante extremamente inteligente, tento estudado filosofia na universidade de Paris entre 1523 e 1527. Sua reputação muito sofreu por seu envolvimento nas execuções capitais e banimentos. No entanto contribui muito à erudição bíblica e á reforma religiosa.

O calvinismo é o nome que se dá ao sistema de doutrinas enfatizadas por João Calvino, bem como pra suas idéias.

Em 1618, aconteceu o Sínodo de Dort, no dia 13 de Novembro, convocado pelos Estados Gerais dos Países Baixos na tentativa de por fim à amarga controvérsia doutrinária acerca do arminianismo. Episcópio, sucessor de Armínio, que faleceu em 1609, e seus aderentes foram convocados para comparecerem, não como membros, mas como réus. Os pontos do arminianismo forma reprovados e aprovados os pontos contra ele, que são os seguintes:

  1. Eleição incondicional
  2. Expiação limitada aos eleitos
  3. Depravação total que envolve tanto a habilidade quanto o mérito
  4. Graça irresistível
  5. Perseverança, ou a segurança eterna do crente.

Esses pontos tem sido variadamente interpretado pelos calvinistas, entendendo alguns que a eleição é supralapsária, isto é, o decreto divino para eleger antecedeu à queda no pecado, ou infralapsária, ou seja, o decreto divino resultou da queda, com o intuito de curá-la. O próprio Sínodo de Dort tomou o ponto de vista infralapsário.

Do ponto de vista teórico, Cristo morreu por todos, no ponto de vista prático, somente aqueles que aceitam a obra de Cristo, sendo impulsionados pelo Espírito a fazê-lo, sendo beneficiados pela morte de Cristo, e essa impulsão depende da própria eleição, pois o Espírito não impulsiona a quem não foi eleito. Portanto apesar de haver uma intenção divina em salvar a todos os homens e que eles se beneficiem da expiação, o ato divino limita a expiação aos eleitos.

Além disso, os calvinistas estão divididos em outras questões relacionadas a reprovação, dizendo alguns que a mesma é ativa, isto é, que Deus condena ativamente aqueles que não foram eleitos, os quais foram ativamente escolhidos. Outros afirmam que a reprovação é passiva, ou seja, não há qualquer decreto divino para a perdição, sendo condenada a perdição eterna simplesmente pelos seus atos pecaminosos, pois Deus deixaria os não eleitos seguirem seus próprios atos pecaminosos. No entanto, Deus não revela quanto são os eleitos.

JACÓ HERMANO (ARMÍNIO EM LATIM) E ARMINIANISMO

Jacó Armínio teólogo holandês. Suas datas (1560-1609), nasceu em Oudewater, no sul da Holanda, estudando na Universidade de Leiden, então em Genebra, e foi ordenado no ano de 1588, sendo professor de 1603 até a sua morte em 1609 naquela universidade.

Um de seus mestres foi o reformador Teodoro Bezera, sucessor de Calvino. Ele teve influência do Calvinismo, porém começou a duvidar de vários artigos de sua fé. Sua busca independente da verdade o levou a escrever um documento intitulado remonstrance, que consistia de cinco artigos:

  1. Deus elege ou reprova com base na fé ou na incredulidade previstas
  2. Cristo morreu por todos e por cada homem, porém somente os crentes serão salvos.
  3. O Homem é tão depravado que a graça divina é necessária tanto para a fé como para as boas obras
  4. Pode-se resistir à graça divina
  5. Se todos os verdadeiros regenerados perseveram com certeza na fé, é uma questão que exige maior investigação.

A teologia arminiana dá lugar ao livre-arbítrio do homem, bem como a força de vontade necessária pra serem feitas escolhas certas. Essa doutrina surgiu como protesto contra os dogmas da eleição incondicional e da graça irresistível.

CONCLUSÕES:

É Perceptível que ambos sistemas de doutrina são sistemas fechados. Tem seus pontos como dogmas. Normam[1], apesar de universalista, é correto ao dizer que é quando estes sistemas teológicos tratam destes assuntos esquecem de seus paradoxos, parecendo ser muitas vezes autocontraditórias (ver Lm 5.21 e Zc 1.3).

Ambos argumentos repousam nos textos do Novo testamento, onde vemos que os mesmos textos são usados por seus defensores tanto para refutar como confirmar seus pensamentos.

Entretanto, isso não nos impede de chegarmos a algumas conclusões, e creio poder dizer que Arminio, em relação a Calvino, teria mais se “aproximado” de uma conclusão lógica neste ponto sobre a Eleição e Predestinação. Ao afirmar isso, não nego as aparentes dificuldades do arminianismo como essa relatada por Champlim: “A justiça de Cristo não é imputada ao crente” e “A expiação é rectoral ou governamental, o que significa que a expiação não é estritamente vicária penal, e sim, uma realização simbólica que visa a salvaguardar os interesses do governo moral de Deus, ao mesmo tempo em que abre a possibilidade de salvação, alicerçada sobre a própria obediência evangélica”.

Porém, temos mais dificuldades em aceitar o sistema calvinista pelos seguintes pontos, abordados por Strong em sua Teologia Sistemática[2]:

1. Calvino, em sua primeira obra Institutes (Instituição cristã), evita informações definidas sobre sua posição a respeito da obra expiatória, contudo nas suas últimas, Commentaries (Comentários), admite a teoria da expiação universal.

2. Calvino descreve o ato de cegar, o endurecimento, a volta do pecador provocados por Deus, como conseqüência do abandono divino, não da causa divina.

3. No fim de sua vida, Calvino escreveu em seu Comentário sobre 1. João 2.2- “ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos mas pelo mundo todo”- o seguinte: Cristo sofreu pelos peados do mundo todo; não apenas por uma parte do mundo, mas por toda a raça humana; porque embora no mundo todo não se ache nada de merecedor do favor de Deus, contudo, ele sustenta a propiciação para o mundo todo porque, sem exceção, ele convoca todos à fé em Cristo que nada mais é do que a porta da esperança”.

4. Apesar de outras passagens de Institutes afirmarem um ponto de vista mais duro, devemos dar a Calvino o crédito de modificar a sua doutrina com uma reflexão mais amadurecida na idade avançada.

Além disso, podemos dizer que a obra de Cristo é universal, porém seus benefícios são para todos os que crêem, e não para alguns, com discriminou G. W. Peters[3]:

Em relação ao Pai:

João 3.16: “Porque deus amou ao mundo de tal maneira”

João 3.17: “Porque Deus enviou seu Filho ao mundo...para que o mundo fosse salvo por ele.”

João 3.19: “Que a luz veio ao mundo”.

Em relação ao Filho:

João 1.29: Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo

João 4.42: Ele é “o Salvador do mundo”.

João 8.12: “Eu sou a Luz do mundo”.

Em relação ao Espírito

João 16.8: Quando ele vier, convencerá o mundo.

Portanto, podemos concluir em dizer que, em uma linguagem simples que Deus sabia de antemão que o homem iria pecar, e elegeu em Cristo, um povo para ser nele salvo, sem interferir no livre-arbítrio do homem. No entanto, aqueles que já o buscam em resposta ao convite da salvação, ajuda aqueles que já buscam fazer a sua vontade melhor ainda.

Seguem-se alguns artigos reproduzidos da Web, que podem ser de grande auxílio para o leitor a melhor entender essa antiga questão. (Os artigos são reproduzidos com seus devidos créditos e suas fontes são citadas nas referências finais).

Alan G. de Sá

O LADO HUMANO: SEU LUGAR E LIMITES

Até agora vimos que vasto reconhecimento é dado à vontade do homem. Entretanto, em referência a ela e o seu livre exercício, imagina-se que várias coisas foram entendidas, e que elas devem ser mantidas sempre em mente.

A Vontade: Real, Mas Restrita.

Em primeiro lugar, é aceito que a vontade do homem é restrita em seu exercício, que ela opera dentro de limites muito definidos, que é restringida pelo plano e propósito controlador geral de Deus, que a soberania divina é suprema na mais larga extensão de todas as coisas. (Ilustrações serão dadas mais tarde.)

Em segundo lugar, não significa que o homem, pelo exercício da vontade, pode de si mesmo fazer aquilo que satisfaça as justas exigências de um Deus santo, ou que por qualquer coisa que ele faça ele possa chegar-se diante de Deus. O homem em seu estado caído não pode de maneira alguma agradar a Deus nem fazer qualquer coisa para salvar sua própria alma. À parte da graça de Deus, o homem estaria completamente e eternamente perdido.

Em terceiro lugar, o emprego desse livre-arbítrio que o homem faz uso não é nada meritório, não é nada que possa gloriar-se ou gabar-se, não é nada para seu crédito pessoal.

Em quarto lugar, Deus, não há dúvida, tem tomado o primeiro passo na salvação do homem provendo o Salvador, como planejado na eternidade passada. Em Sua graça Ele, além disso, provê a disponibilidade dessa salvação aos homens por meios como a pregação do evangelho e pelo convencimento do Espírito Santo.

Com estas considerações em mente pode ser notado que também parece claro que, para ser salvo, o homem deve fazer algo no sentido de exercer fé, crer no evangelho, ativamente receber o Salvador, e ele será considerado responsável se não fizer isso; todavia, como dito, seu exercício dessa fé não é nada meritório.

A razão por que é enfatizado que a fé não tem nenhum mérito, é para que, logo que for argumentado que o homem deve buscar exercer fé, nenhuma objeção possa com justiça ser levantada. Isto é, não pode ser alegado que a salvação através disso deixa de ser completamente da graça ou que seja por conquista humana, pois a fé que o homem exerce é inteiramente não meritória, nada que dá a ele a mais leve base para qualquer alegação sobre Deus. Fé, como será visto, é o mero canal, não o fundamento da salvação do homem. O fundamento ou base da salvação do pecado, obviamente, é a provisão divina na obra acabada de Cristo; os meios ou instrumento de tornar efetiva esta benção celestial é uma pessoa que nada merece se lançando sobre a misericórdia de Deus e a aceitando toda para si. Isto ela deve fazer, e ela unicamente pode fazer.

Fé: Necessária, Mas Não Meritória

Que o homem deve receber a salvação pela fé e que, se ele assim fizer, não seria uma questão de realização humana ou de mérito de sua parte, é evidente nestas citações sobre a necessidade de exercer fé, a liberdade dela, e a natureza não meritória dessa fé.

O Dr. Griffith Thomas disse: “Não há crédito ou mérito no ato de crer, pois confiança em outra pessoa é absolutamente incompatível com auto-retidão e dependência de suas próprias forças.... A fé é um princípio essencial da vida humana, sem a qual não pode haver salvação.... Não há absolutamente nenhuma virtude ou mérito na fé. A confiança é a resposta do homem à verdade de Deus. A fé é a condição, não a base da salvação.” (Epistle to the Romans, Vol. 1, pp. 154, 165)

Similarmente, o Dr. E. Y. Mullins escreveu: “Não somos salvos pelas obras, mas pela graça por meio da fé como a condição. A fé, então, de acordo com o Novo Testamento, nunca é considerada como uma obra meritória.... Fé salvadora é tanto um princípio ativo quanto passivo. Sob um ponto de vista, a fé é simplesmente abrir a mão para receber. É simplesmente a rendição da vontade.... A fé da parte do homem não é uma obra de mérito que possui o poder de compra, mas a condição da salvação. Somente pela fé, à parte de ações meritórias, o homem poderia ser salvo.” (The Christian Religion in its Doctrinal Expression, pp. 373, 375-376)

O Dr. Leander S. Keyser, quem H. A. Ironside caracterizou como “um grande teólogo,”[1] disse sobre isso: “A fé é o canal, na Escritura, através da qual a justificação chega ao homem pela própria razão que ela excluirá todo mérito humano, e faz a salvação do homem uma pura obra da graça de Deus.... Da própria natureza da fé, ela não pode ter nenhum mérito. Fé é simplesmente o ato da alma pela qual ela aceita o dom da salvação de Deus. Não pode certamente haver nenhum mérito em um pobre pecador, indigno, culpado, aceitando a graça que Deus gratuitamente oferece a ele. O fato é que, a necessidade de simplesmente aceitar a dádiva, sem a capacidade de fazer qualquer coisa para fazê-la merecer, acentua e aumenta o seu desmerecimento.” (Election and Conversion, pp. 26-27)

Bishop H. C. G. Moule se expressou sobre isto com as seguintes palavras: “Notemos que a Fé, visto ser a confiança, é obviamente algo tão diferente quanto possível do mérito. Ninguém na vida comum pensa em uma confiança bem firme como meritória. É certo, mas não justo.... O homem que, se descobrindo, na maneira antiga.... ser um culpado pecador, cuja ‘boca está calada’ diante de Deus, confia em Cristo para perdão e paz, certamente não fez nada por merecer qualquer coisa por consentir em sua própria salvação. Ele não merece nada pelo ato de aceitar tudo.” (The Fundamentals, Vol. II, p. 116)

Vários escritores batistas dão declarações breves porém explícitas seguindo esta linha de raciocínio. O Dr. O. C. S. Wallace escreveu: “A salvação vem para a alma que vem para salvação. O Salvador complacente e o pecador penitente se encontram.... O homem não pode salvar a si próprio.... mas ele pode segurar pela fé no braço que é estendido para salvá-lo.... Pois esta salvação é de graça e o homem salvo não pode se gloriar.... Ele não pagou nenhuma parte do preço de sua redenção; por essa razão ele não pode se gloriar de suas capacidades.” (What Baptists Believe, pp. 98-99)

Em um outro livro, W. R. White disse: “Cada um deve se arrepender e crer; cada um deve agir com seu próprio poder soberano de escolha. O indivíduo não somente deve agir por si mesmo; ele é o único que pode. Deus o fez capaz. Não é uma capacidade inerente de mérito, mas é um direito divinamente concedido baseado na misericórdia de Deus.” (Baptist Distinctives, pp. 24-25)

Esta mesma verdade foi reconhecida por C. H. Spurgeon, que disse, “Um conhecimento da verdade nos ensina que a fé é o simples ato de confiar, que não é uma ação da qual o homem pode se gabar; não é uma ação da natureza de uma obra, de forma a ser um fruto da lei.” (Treasury of the New Testament, Vol. III, p. 784)

O Dr. A. T. Pierson colocou desta forma: “Quando o pecado voluntário é cometido por um filho de Adão, a fé voluntária deve entrar na salvação. Enquanto qualquer ser humano peca por si próprio, ele deve crer por si próprio.... A vanglória é excluída. Tenho somente que crer; esta é minha única obra, a obra da , que é meu elo de ligação com o Justificador – aceitar Jesus como Salvador, vestir-se de Cristo, aceitar o manto branco de Sua perfeita justiça, que é ‘a todo e sobre todo aquele.... que crê.’” (The Believer’s Life, pp. 20, 33)

O Dr. H. Clay Trumbull, fundador e por muitos anos editor do Sunday School Times, explicitamente disse: “Dificilmente qualquer simples ordem é mais freqüentemente expressada pelo Salvador dos homens, àqueles que desejam Sua ajuda, do que o comando de ‘tenham fé em Deus.’ É em sua fé que Jesus insiste. É de sua fé que Sua ajuda depende. É por meio da fé que eles são salvos. Então clara e positivamente esta verdade é expressa na Bíblia que aqueles que são guiados pelos preceitos desse Livro sempre estão prontos a dar proeminência ao dever da fé como sua base da esperança.” (How to Deal with Doubts and Doubters, p. 51)

O Dr. Albertus Pieters foi um estudioso e escritor da Igreja Reformada na América, um grupo decididamente calvinista, todavia até ele deu um declaração muito forte nesta área: “Não devemos pensar que, visto que somos salvos pela fé, por isso a fé é algo meritório. A fé é como o ato de um mendigo ao esticar sua mão para receber uma dádiva. Ele não merece qualquer coisa por isso, nem um centavo; é meramente a aceitação de uma esmola imerecida e de graça.... Então não há nenhum poder na fé para salvar; o poder está em Cristo e em Sua obra expiatória, mas não podemos recebê-la sem o toque da fé.... Sabemos também que somos seres livres e responsáveis, rejeitando Cristo, se O rejeitarmos, pois não temos nenhum amor pela santidade; e aceitando-O, se O aceitarmos, de nosso próprio livre-arbítrio, sem ser de qualquer forma forçado a aceitar.” (Facts and Mysteries of the Christian Faith, terceira edição, pp. 167, 185)

Mais um da Igreja Reformada na América foi o Dr. David James Burrell, cujas obras publicadas foram largamente aceitas. Ele disse: “Não cabe a mim reconciliar a soberania divina com a liberdade da vontade humana.... Eu estou convencido de que há um Deus onisciente; e eu estou igualmente certo de que tenho uma vontade soberana. O fato importante é este: se for salvo, será pelo exercício da fé pessoal; todavia eu me juntarei ao grupo inumerável dos redimidos atribuindo toda a glória a Deus.” (Old Time Religion, pp. 336-337)

Em conexão com o assunto, o Dr. H. C. Thiessen citou o Dr. Hodge, de posição teológica similar aos dois que acabamos de citar: “Uma resposta positiva à graça preveniente [antecedente] não é ‘mérito.’ Até Hodge disse: ‘Não há nenhum mérito no pedido ou na aceitação, que é a base do presente. Permanece um favor gratuito; mas é, no entanto, suspendido no caso do pedido.’” (Lectures in Systematic Theology, p. 157)

“Depravação Total” e “Incapacidade”

Um problema, entretanto, pode se apresentar aqui. Não é a total depravação do homem reconhecida como um preceito estabelecido de sã doutrina bíblica? E se for, como poderia o homem que é totalmente depravado – absolutamente afundado em pecado e moralmente falido – cumprir qualquer responsabilidade na questão de sua própria salvação?

O homem, sem dúvida, é totalmente depravado. Perante Deus ele é completamente corrupto, absolutamente vil e desprezível, cheio de pecado e arruinado.

Mas como muitas vezes foi apontado, a depravação total no homem não significa sua total incapacidade.

O Dr. James Orr, o famoso presbiteriano escocês, disse sobre isto: “A doutrina em questão é, de fato, mal compreendida quando o adjetivo ‘total’ é acreditado implicar que todo ser humano é tão mau quanto poderia ser, ou que não há virtudes naturais, e até características belas e amáveis em pessoas que ainda não são regeneradas.... ‘Total’ aqui não significa que toda parte do homem é tão corrupta quanto poderia ser, mas que nenhuma parte escapou da depravação ou corrupção (totus, no sentido de ‘em toda parte’). O pecado está na natureza, e sua influência que corrompe, deprava, e polui, penetra nela toda.” (Side-Lights on Christian Doctrine, p. 97)

O Dr. Griffith Thomas similarmente escreveu: “‘Depravação total’ não significa a absoluta perda de todo vestígio do bem, mas que o mal afetou toda parte da natureza e que nada permaneceu intocado.... O livre-arbítrio significa a liberdade da alma para escolher, capacitando-o a determinar a ação consciente.... O homem caído tem a faculdade da vontade, como também tem outras faculdades....” (The Principles of Theology, pp. 165, 180)

Chegando nos teólogos batistas, temos vários comentários detalhados. O Dr. E. Y. Mullins disse: “A frase ‘depravação total’ tem sido empregada em teologia para descrever o estado pecaminoso dos homens. Mas é preciso uma definição cuidadosa para que não sejamos enganados. Em poucas palavras, ela significa que todas as partes de nossa natureza foram afetadas pelo pecado. Não significa que os homens são tão maus quanto poderiam ser, nem que todos os homens são igualmente maus. Não significa que a natureza humana é destituída de todo impulso bom no sentido moral. Significa, antes, que a natureza humana, como tal, e em todas as suas partes em seu estado irregenerado, está sob o domínio do pecado.... Às vezes se declara que o homem possui capacidade ‘natural’, mas não ‘moral’ nas coisas religiosas. Por capacidade natural quero dizer que ele possui todas as faculdades e poderes humanos, incluindo a vontade e o poder de escolha contrária. Ele é auto-determinado e não compelido em suas ações. Ele é responsável e livre. Ele é culpado quando ele age de forma errada.... Por outro lado, é afirmado que ao homem falta ‘capacidade moral’ pois ele não pode mudar sua própria natureza.... Como temos definido estas frases, ambas são verdadeiras.... Se se diz que um homem tem ‘capacidade natural’ nas coisas religiosas, ele provavelmente irá negligenciar a dependência da graça de Deus. Se se diz que a ele falta ‘capacidade moral,’ ele está em perigo de perder seu senso de responsabilidade.” (The Christian Religion in Its Doctrinal Expression, pp. 294-295)

A. H. Strong mostrou o que a depravação não é, então o que ela é, e depois disse: “Todavia há um certo restante de liberdade deixado ao homem. O pecador pode (a) evitar o pecado contra o Espírito Santo; (b) escolher o menor antes que o maior; (c) recusar totalmente render-se a certas tentações; (d) fazer bons atos exteriormente, embora com motivos imperfeitos; (e) buscar a Deus por interesse próprio.... O pecador pode fazer uma coisa muito importante, a saber, dar atenção à verdade divina.” (Systematic Theology, p. 640)

Em concordância com os últimos pensamentos, o Dr. H. C. Thiessen declarou: “Cremos que a graça comum de Deus também restaura ao pecador a capacidade para fazer uma resposta favorável a Deus. Em outras palavras, mantemos que Deus, em Sua graça, torna possível a salvação de todos os homens... Paulo diz: ‘Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens’ (Tt 2.11). Isto resulta na liberdade da vontade na questão da salvação. Que a vontade foi liberta é implicado de vários exortações para virar-se para Deus (Pv 1.23; Is 31.6; Ez 14.6; 18.32; Jl 2.13-14; Mt 18.3; At 3.19), para se arrepender (1Re 8.47; Mt 3.2; Mc 1.15; Lc 13.3, 5; At 2.38/ 17.30), e crer (2Cr 20.20; Is 43.10; Jo 6.29; 14.1; At 16.31; Fp 1.29; 1Jo 3.23).” (Lectures in Systematic Theology, pp. 155-156)

A Fé é o Dom de Deus?

Um outro ponto relacionado pode naturalmente surgir aqui. Enquanto a necessidade da fé é reconhecida, ainda não é a própria fé o dom de Deus?

É verdadeiro em um sentido que a fé é o dom de Deus, mas é o dom de Deus a todos que a querem, a todos que estão desejosos de usá-la. Visto que, como é de comum acordo, a oferta sincera de salvação é feita a todos, e visto que “quem quiser” pode receber o evangelho, é evidente que a fé salvadora está dentro do alcance de todos. Tal fé é dada por Deus àqueles que desejam ser salvos. Não é dada a todos, pois todos não se beneficiarão dela, não se renderão ao mover do Espírito Santo, e não deixarão o poder regenerador de Deus trabalhar dentro deles.

Sobre a gratuidade do dom da fé, o Dr. R. A. Torrey disse: “A fé é dom de Deus. Como todos os dons de Deus ela está à disposição de todos que a querem, pois não há acepção de pessoas com Ele. Veremos diretamente que é dada através de um certo instrumento que está dentro do alcance de todos, e sob certas condições que qualquer um de nós pode cumprir.” (What the Bible Teaches, p. 379)

O Dr. William Evans disse: “Deus deseja causar fé em todas as Suas criaturas, e assim fará caso elas não resistam ao Seu Espírito Santo. Somos responsáveis, por essa razão, não tanto pela falta de fé, mas por resistir ao Espírito que criará fé em nossos corações se O permitirmos a assim fazer.” (The Great Doctrines of the Bible, p. 149)

De modo similar, o Dr. Harry Ironside disse: “A fé é o dom de Deus.... Todos os homens podem ter fé se desejarem; mas ah, muitos recusam ouvir a Palavra de Deus, de modo que eles são deixados em sua incredulidade. O Espírito Santo apresenta a Palavra, mas alguém pode resistir à Sua graciosa influência. Por outro lado, alguém pode ouvir a Palavra e crer nela. Isto é a fé. É dom de Deus, é verdade, pois é dada através de Sua Palavra.” (Full Assurance, pp. 98-99)

O Dr. C. I. Scofield fez uma colocação um tanto diferente: “Há três coisas, graça, fé, salvação, e estas são todas dons de Deus. Mas aqui está o fato significante, caros amigos, aqui começa sua responsabilidade: deste maravilhoso trio – graça, fé, salvação – você já recebeu o dom da fé. Agora você está dizendo: ‘Se eu tenho fé, se Deus já me deu fé, por que eu não sou salvo?’ Porque você não a usou corretamente – isto é tudo.... Caros amigos, não criem dificuldades com as coisas onde não há dificuldades. A fé é um dom e você a tem.” (In Many Pulpits With C. I. Scofield, pp. 90-91)

Declarações de C. H. Spurgeon apontam na mesma direção: “Até onde possamos dizer, a fé foi escolhida como o canal da graça pois há uma adaptação natural na fé para ser usada como receptor. Suponha que eu estou prestes a dar a um pobre homem algumas esmolas: eu as coloco em suas mãos – por que?... A mão parece ter sido feita com o propósito de receber. Então, em nossa estrutura mental, a fé é criada com o propósito de ser um receptor: é a mão do homem, e há uma adaptação para receber a graça através dela... Tanto o perdão quanto o arrependimento fluem da mesma fonte, e são dados pelo mesmo Salvador.... Jesus tem prontos os dois, e Ele está preparado para concedê-los agora, e para concedê-los mais livremente sobre todos os que irão aceitá-los de Suas mãos.” (All of Grace, pp. 58, 99)

Muito propriamente, então, o Dr. H. C. Thiessen disse, “Pareceria estranho se Deus chamasse todos os homens em todos os lugares para se arrependerem (At 17.30; 2Pe 3.9) e crerem (Mc 1.14-15) quando somente alguns podem receber o dom do arrependimento e da fé.” (Lectures in Systematic Theology, p. 349)

Devido a estas e outras declarações que parecem colocar uma medida de responsabilidade pela fé no homem, qual é o significado de Ef 2.8, que fala, “Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”?

Estudantes da Bíblia, os mais recentes e os mais velhos, atribuem o “isto não vem de vós” a todo o processo de ser salvo, não à fé.

Dessa forma, F. F. Bruce da Inglaterra, disse: “O fato que o pronome demonstrativo ‘isto’ é neutro no grego (tauto), enquanto ‘fé’ é um substantivo feminino (pistis), combina com outras considerações para sugerir que é o conceito todo de salvação pela graça por meio da fé que é descrito como o dom de Deus. Isto incidentalmente foi a interpretação de Calvino.” (The Epistle to the Ephesians, pp. 51-52)

Similarmente, A. T. Robertson disse: “A ‘graça’ é a parte de Deus, a ‘fé’ é a nossa. E isto (kai tauto), é neutro, não o feminino tautē. Portanto, não se refere a pistis (feminino) ou a charis (feminino), mas ao ato de ser salvo pela graça condicionado à fé de nossa parte. Paulo mostra que a salvação não tem sua fonte no homem, mas vem de Deus.” (Word Pictures in the New Testament, Vol. IV, p. 525)

M. R. Vincent sucintamente disse, “E isto. Não a fé, mas a salvação.” (Word Studies in the New Testament, Vol. III, p. 376)

W. E. Vine escreveu sobre o uso da palavra ‘dom’ aqui: “da salvação pela graça, como o dom de Deus, Ef 2.8.” (Expository Dictionary of New Testament Words, Vol. II, p. 146)

J. A. Smith, no American Baptist Commentary sobre “Efésios,” escreveu: “A palavra grega para ‘isto’ é neutro, de forma que a referência não pode ser à ‘fé,’ visto que nesse caso ela seria feminina. O que se quer dizer é o fato declarado na oração precedente.” (p. 38)

Outros estudantes da Palavra tomam uma posição semelhante. W. G. Blaikie, no Pulpit Commentary, sobre “Efésios,” disse: “Da parte de Deus, a salvação é pela graça; da parte do homem, é por meio da fé.... A estrutura gramatical e a analogia da passagem favorecem a primeira opinião, ‘Vossa salvação não vem de vós mesmos.’... O uso confirma a opinião que não é meramente a fé, mas toda a obra e pessoa de Cristo que a fé recebe, que se pretende dizer aqui como o ‘dom de Deus.’” (p. 63)

Assim também, Dean Alford disse: “‘Pela graça’ expressa a condição instrumental objetiva de vossa salvação – ‘por meio da fé’ a condição medial subjetiva: tem sido efetuada pela graça e apropriada pela fé; e isto (‘vossa salvação,’ o fato de que vós sois salvos, como Ellicott) não vem de vós mesmos... o dom, a saber, de sua salvação.” (Parênteses do autor. New Testament for English Readers, Vol. II, Part I, p. 376)

O mais popular expositor, Alexander Mclaren, fez essa colocação: “Marque as últimas palavras de meu texto – ‘isto não vem de vós: é dom de Deus.’ Elas muitas vezes têm sido mal compreendidas, como se elas se referissem à fé que é mencionada logo antes. Mas esta é uma clara idéia equivocada do significado que o apóstolo quis dar, e entra em contradição com todo o contexto. Não é a fé que é o dom de Deus, mas a salvação pela graça. Isto é claro quando se lê o próximo verso.... O que é que ‘não vem das obras’? A fé? Certamente não.... As duas frases necessariamente se referem à mesma coisa, e se a última deve se referir à salvação pela graça, então deve também a primeira.” (Expositions of Holy Scripture, “Efésios,” pp. 104-105)

O Sr. Robert Anderson faz uma declaração ainda mais vigorosa: “‘O dom de Deus’ aqui é a salvação pela graça por meio da fé. Não a própria fé. ‘Isto não é possível,’ como Alford observa, ‘pelas frases manifestamente paralelas “não vem de vós mesmos,” e “não vem das obras,” a última da qual seria irrelevante se for relativo à fé.’ É ainda mais definitivamente improvável, ele poderia ter acrescentado, pela natureza da passagem. Nos é concedido crer em Cristo, no mesmo sentido em que é concedido a alguns ‘também padecer por ele’ (Fp 1.29). Mas a declaração de Efésios é doutrinária, e nesse sentido a afirmação de que a fé é um dom, ou de fato que ela é uma realidade distinta em todos, é um equívoco claro. A questão é algumas vezes representada como se Deus desse fé ao pecador primeiro, e então, sobre o pecador levar a Ele a fé, continuasse e desse a ele a salvação! Assim como se um dono de padaria, recusando a fornecer a alguns requerentes de mãos vazias, primeiro distribuísse a cada um o preço de um pão, e então, em troca do dinheiro de sua própria gaveta, servisse o pão! Para responder completamente tal excentricidade como esta seria reescrever o capítulo seguinte. Basta, por essa razão, apontar que ler o texto como se a fé fosse o dom, é destruir não somente o significado do verso 9, mas a força de toda a passagem.” (The Gospel and Its Ministry, décima terceira edição revisada, p. 54, nota de rodapé)

A questão toda pode finalmente ser acentuada nas palavras de ninguém menos do que Washington Gladden, que disse, “O que diz o texto? ‘Pela graça sois salvos por meio da fé; e isto não vem de vós: é dom de Deus.’ Mas um novato em grego sabe que o pronome traduzido ‘isto’ não pode se referir à fé, e deve se referir à salvação pela graça. Leia o próximo verso. ‘Não vem das obras, para que ninguém se glorie.’ O que não vem das obras, a fé, ou a salvação? Dizer que a fé não vem das obras é tolice; argumentar que a salvação não vem das obras é fazer exatamente o que Paulo está fazendo. A graça de Deus, o perdão e compaixão e ajuda de Deus, é o dom gratuito de Deus; não é nada que temos conquistado ou merecido; é uma dádiva.... O ato de aceitar a salvação é certamente um ato do homem, e este ato é a fé. O livre ato de Deus na doação da salvação é a graça; o livre ato do homem na aceitação é a fé.” (A Homiletic Encyclopedia, R. A. Bertram, editor, p. 342)

Uma Mensagem do Teólogo Arminiano Roger Olson

Roger E. Olson

Aprecio e concordo com tudo que Scot McKnight escreveu em seus artigos “Quem São os Neo-Reformados?” (Veja seu blog The Jesus Creed). Ele foi muito criterioso ao dar nomes. Isto é, dar nomes somente inflamaria a controvérsia e pioraria as coisas. “Se a carapuça servir [em alguém]....”

Eu gostaria de acrescentar que muitos calvinistas contemporâneos que estão abastecendo os “jovens, rebeldes e reformados” com o combustível para que eles saiam e causem problemas (um deles me disse que eu nem mesmo era salvo porque era arminiano!) deturpam totalmente o Arminianismo (isso sem falar de outras tradições).

Eis uma citação de um sermão de um pastor calvinista sobre a expiação limitada: “O arminiano limita a natureza, valor e eficácia da expiação de forma que ele pode dizer que ela foi realizada até mesmo por aqueles que morrem na incredulidade e são condenados. A fim de dizer que Cristo morreu por todos os homens da mesma forma, o arminiano deve limitar a expiação a uma oportunidade ineficiente para os homens salvarem-se a si mesmos de seu terrível estado de depravação.”

Agora, ou este instruído pastor conhece pouco sobre a teologia arminiana clássica ou ele está intencionalmente deturpando-a. Mas no primeiro caso ele deveria ter lido pelo menos meu livro Arminian Theology: Myths and Realities. Porque sua afirmação é simplesmente falsa. Ela completamente ignora a ênfase arminiana na graça preveniente.

Algo que acho terrível, mas que é freqüentemente praticado pelas pessoas que Scot chama de “neo-reformados,” é atribuir a outros crenças que eles não apenas não crêem mas explicitamente as negam. Quando confrontados, os neo-reformados dizem “Mas essa é a conseqüência necessária do que eles crêem.” Então eles deviam deixar isso claro e acrescentar “Mas eles na verdade não crêem nisso.”

Assim, os seguidores destes bem instruídos líderes dos neo-reformados os escutam e os lêem e saem pensando e dizendo “os arminianos crêem que as pessoas salvam a si mesmas.” Isso é conversa fiada e os líderes do movimento neo-reformado sabem disso.

Há muita desonestidade acontecendo neste “Gramado da Vila” que chamamos de evangelicalismo. E francamente, como o vejo, sua maior parte é resultado da deturpação grosseira do Arminianismo pelos neo-reformados para através isso tentar marginalizar os arminianos (e os anabatistas, que basicamente crêem na mesma teologia). Como? Convencendo os manda-chuvas do movimento evangélico que o Arminianismo está perigosamente perto da heresia.

Não posso ler seus corações e mentes, então eu não sei se eles estão deturpando o Arminianismo intencionalmente ou não. Mas tenho certeza que eles são instruídos o suficiente para ter checado suas representações do Arminianismo para ver se estão corretas. Ou eles não têm feito isso ou estão intencionalmente deturpando a teologia arminiana (ainda que somente dizendo o que eles acham a que a teologia arminiana leva e deixando de deixar claro que não é o que os próprios arminianos crêem).

Tenho lutado esta batalha para limpar o bom nome da teologia arminiana (mostrando quão diferente ela é do Semipelagianismo) por anos, agora com muito limitado sucesso. Percebo que a maior parte das pessoas que deturpam o Arminianismo e agressivamente afirmam que somente a teologia reformada possui precisão teológica têm pouco ou nenhum interesse em ser instruído sobre a verdadeira teologia arminiana. Eles já tomaram sua decisão; não os confundam com os fatos.

Todo ano tenho um grupo de pastores calvinistas de uma igreja reformada local em minha classe para discursar. Um deles foi logo dizendo “o Arminianismo é somente o Pelagianismo.” Após vários encontros infelizes dei a eles cópias do livro Arminian Theology: Myths and Realities na condição de que o lessem. Pelo que sei, eles nunca leram.

Ando recebendo e-mails e cartas de vários desses evangélicos “jovens, rebeldes e reformados” me agradecendo por esclarecer suas concepções equivocadas (que todos eles dizem que foram ensinados por líderes evangélicos reformados) sobre o Arminianismo. Mas não fiquei sabendo de um único líder reformado evangélico dizendo que algo que eu escrevi no livro fez alguma diferença na maneira que eles pensam ou falam ou escrevem sobre a teologia arminiana.

Sem qualquer dúvida, a metáfora do “Gramado da Vila” para o evangelicalismo não é boa. Afinal, o Gramado da Vila na Inglaterra e depois na Nova Inglaterra era simplesmente um lugar onde todos os cidadãos se reuniam para falar sobre o tempo, política ou negócios. O evangelicalismo é uma ampla coalisão de cristãos de opiniões e interesses comuns que reconhecem suas diferenças. Seu lema sempre foi “No essencial unidade, no não-essencial liberdade, em tudo caridade” (Veja o site da National Association of Evangelicals). A tenda do reavivamento multi-denominacional é uma metáfora muito melhor para o evangelicalismo.

Ultimamente, entretanto, tem havido problemas debaixo da tenda do reavivamento. Algumas pessoas estão tentando convencer os organizadores e patrocinadores do reavivamento e também os recém-chegados de que sua teologia particular é essencial e não não-essencial. Eles são muito cuidadosos na escolha das palavras; a rigor eles evitam classificar como “heresia” outras opiniões como o Arminianismo e até o Teísmo Aberto. Mas sua retórica é uma retórica de exclusão: “o Arminianismo está profundamente equivocado” e “o Arminianismo está no precipício da heresia” e “todos os arminianos caminham para o Teísmo Aberto,” etc., etc.

É hora dos líderes do evangelicalismo se levantarem e dizerem não – não ao Calvinismo mas àqueles calvinistas evangélicos que estão causando confusão no acampamento evangélico ao grosseiramente deturpar as crenças de outros evangélicos e implicando, se não afirmando, que sua teologia é a única teologia evangélica autêntica.

Tradução: Paulo Cesar Antunes

ARMINIANISMO, estritamente falando, é aquele sistema de doutrina religiosa que foi ensinado por Arminius, professor de teologia na universidade de Leyden. Se, portanto, quisermos saber o que precisamente é o Arminianismo, devemos recorrer àquelas obras nas quais esse mesmo teólogo afirmou e expôs suas crenças peculiares. Isto, entretanto, de modo algum nos dará uma idéia exata daquilo que, desde sua época, tem sido geralmente denominado Arminianismo. Ao analisarmos, descobriremos que em muitas particularidades importantes, aqueles que se classificam como arminianos, ou que outros os consideram como tais, diferem tanto do líder nominal e fundador de seu partido, quanto ele mesmo de Calvino e de outros doutores de Genebra. Há, de fato, certos pontos em relação aos quais ele tem sido rigorosa e invariavelmente seguido por quase todos os seus supostos adeptos, mas há outros de igual ou maior importância, que eles dogmaticamente insistem, aos quais ele inquestionavelmente nunca deu sua aprovação, ou até mesmo parece ter sido decididamente adverso. Tal distinção, óbvia como deve ser a todo leitor atento, tem sido, todavia, geralmente tão negligenciada, que a memória de Arminius é freqüentemente carregada de acusações das mais desarrazoadas e injustas. Ele é acusado, pelos ignorantes e preconceituosos, de inserir adulterações na igreja cristã, nas quais ele provavelmente nunca pensou, e que certamente não têm lugar em suas obras. E toda a aversão que tem atraído seus seguidores, de tempos em tempos, por sua diversa e crescente heterodoxia, tem sido absurdamente refletida sobre ele, como se ele pudesse ser o responsável por todo erro que possam propagar sob a sanção de seu nome. Qualquer que seja o número ou o gênero destes erros, e da maneira que eles possam ser associados aos seus princípios, é justo ao caráter de Arminius e útil aos interesses da verdade religiosa, voltarmos nossos olhos aos seus próprios escritos como a única fonte da qual devemos obter informações a respeito do sistema arminiano, e, assim fazendo, perceberemos que o Arminianismo puro e genuíno não é aquela grande e perigosa heresia que entre uma certa classe de cristãos ele é muito freqüentemente descrito ser.

O Arminianismo, em seu sentido próprio, deve ser considerado como uma separação do Calvinismo em relação às doutrinas da eleição incondicional, redenção particular e outros pontos necessariamente resultantes destes. Os calvinistas mantinham que Deus elegeu uma certa porção da raça humana para a vida eterna, ignorando o restante, ou, antes, sentenciando-os à destruição eterna; que a eleição de Deus não procedeu da presciência dos princípios morais e caráter dos que assim foram predestinados, mas originou unicamente das ações de sua livre e soberana misericórdia; que Cristo morreu pelos eleitos apenas, e portanto que os méritos de sua morte não podem servir para a salvação de ninguém mais; e que eles são constrangidos pela força irresistível da graça divina para aceitá-lo como seu Salvador. A esta doutrina, a de Arminius e seus legítimos seguidores se coloca em oposição. Eles não negam a eleição, mas eles negam que ela é absoluta e incondicional. Eles argumentam que uma eleição desta espécie é inconsistente com o caráter de Deus, que ela destrói a liberdade da vontade humana, que contradiz a linguagem da Escritura, e que tende a encorajar uma prática negligente e licenciosa naqueles por quem ela é crida. Eles sustentam que Deus elegeu somente aqueles que, de acordo, não com seu decreto, mas com seu pré-conhecimento, e no exercício de seus poderes naturais de auto-determinação, agindo sob a influência de sua graça, possuiriam aquela fé e santidade a qual a salvação está ligada no esquema do Evangelho. E aqueles que não são eleitos se permite que pereçam, não porque não foram eleitos, mas meramente e unicamente em conseqüência de sua infidelidade e desobediência; em razão, de fato, dessa infidelidade e desobediência serem previstas por Deus, sua eleição não aconteceu. Eles crêem que Cristo morreu por todos os homens no sentido literal e irrestrito dessa frase; que sua expiação é capaz, tanto de seu próprio mérito como da intenção daquele que a apontou, de expiar a culpa de cada pessoa; que cada pessoa é convidada a participar dos benefícios que ela obteve; que a graça de Deus é oferecida para fazer a vontade se sujeitar a este convite, mas que esta graça pode ser resistida e tornada ineficaz pela perversidade do pecador. Se os crentes genuínos necessariamente perseverariam, ou se eles poderiam cair de sua fé, e perder seu estado de graça, foi uma questão que Arminius deixou em grande medida sem ser resolvida, mas que foi logo determinada por seus seguidores nesta proposição adicional, que os santos podem cair do estado de graça no qual foram colocados pela operação do Espírito Santo. Isto, de fato, parece seguir como um corolário do que Arminius sustentou a respeito da liberdade e corrupção natural da vontade, e a resistibilidade da graça divina.

Pode ser oportuno agora mencionar algumas doutrinas em relação às quais o Arminianismo tem sido muito deturpado. Se alguém crê que as boas obras são necessárias à justificação, se mantém que a fé inclui as boas obras em sua própria natureza, se rejeita a doutrina do pecado original, se nega que a graça divina é requisito para toda a obra da santificação, se fala da virtude humana como meritória diante de Deus, é geralmente concluído que ele é um arminiano. Mas a verdade é que um homem com tais entendimentos é propriamente um discípulo das escolas pelagianas e socinianas. A tais entendimentos o puro Arminianismo é tão diametralmente oposto quanto o próprio Calvinismo. Os arminianos genuínos admitem a corrupção da natureza humana em toda a sua extensão. Eles admitem que somos justificados pela fé somente. Eles admitem que nossa justificação se origina unicamente na graça de Deus. Eles admitem que a causa procuradora e meritória de nossa justificação é a justiça de Cristo. Propter quam, diz Arminius, Deus credentibus peccatum condonat, eosque pro justis reputat non aliter atque si legem perfecte implevissent. [Por causa da qual Deus perdoa os crentes e os considera tão justos como se eles tivessem cumprido perfeitamente a lei.] Deste modo, eles admitem que a justificação não implica meramente em perdão do pecado mas em aceitação à felicidade eterna. Junctam habet adoptionem in filios, et collationem juris in hereditatem vitae eternae. [Traz junto consigo a adoção para filiação e a concessão do direito à herança da vida eterna.] Eles admitem, em resumo, que a obra da santificação, desde o seu próprio começo até a sua perfeição na glória, é executada pela operação do Espírito Santo, que é o dom de Deus por Jesus Cristo. Tão corretos, de fato, são os arminianos em relação à doutrina da justificação, uma doutrina tão importante e essencial na opinião de Lutero, que ele não hesitou em chamá-la, articulus ecclesiae stantis vel cadentis [o artigo com que a igreja fica de pé ou cai], que aqueles que examinarem as obras de Arminius podem se inclinar a imaginar que ele até mesmo superou Calvino em ortodoxia. É certo, ao menos, que ele declara sua disposição de aprovar tudo que Calvino escreveu sobre esse importante assunto do Cristianismo, no terceiro livro de suas Institutas, e com esta declaração o teor de suas obras invariavelmente está em harmonia.

O sistema de Arminius, então, parece ter sido o mesmo daquele que foi geralmente mantido nas igrejas reformadas daquela época, exceto no que diz respeito à doutrina dos decretos divinos. Mas o mais eminente dos que se tornaram arminianos, ou que se posicionaram entre os seus professos seguidores, adotando e declarando suas doutrinas peculiares em relação à eleição e redenção, logo começou a se afastar bastante das outras doutrinas de seu credo religioso. Eles adotaram pontos de vista da corrupção do homem, da justificação, da justiça de Deus, da natureza da fé, do papel das boas obras, da necessidade e operações da graça, que são completamente contrárias àquelas que ele tinha mantido e publicado. Muitos deles, no decorrer do tempo, diferiram mais ou menos uns dos outros, sobre alguns ou todos estes pontos. E, assim, várias são as formas que o Arminianismo, como é chamado, tem assumido durante o seu progresso, que para descrever precisamente o que ele tem sido desde o sínodo de Dort, ou o que ele é no tempo presente, seria uma tarefa muito difícil, senão impossível. Mesmo a confissão de fé, formulada para os arminianos por Episcopius, e que se encontra no segundo volume de suas obras, não pode ser considerada como um padrão. Ela foi composta meramente para neutralizar a acusação de que eles eram um grupo sem princípios comuns. Para expressá-la, foram usadas principalmente palavras e frases da Escritura, às quais, obviamente, cada um acrescentaria seu próprio significado. Além de que ninguém, nem mesmo um pastor, era obrigado, por qualquer forma, a aderir estritamente a ela, mas cada um era deixado inteiramente em liberdade para interpretar sua linguagem da maneira que mais fosse adequado aos seus próprios entendimentos particulares. Conseqüentemente, tão variadas e inconsistentes são suas opiniões que se Arminius pudesse examinar os inúmeros volumes que foram escritos como exposições e ilustrações da doutrina arminiana, ele ficaria perplexo ao descobrir seu puro sistema no meio de uma massa heterogênea de erro com que foi grosseiramente misturado, e ficaria impressionado ao descobrir que a controvérsia que ele cuidadosamente introduziu, se desviou muito do ponto ao qual ele a tinha confinado, e que com seu nome dogmas foram associados, das quais a natureza anti-bíblica e perigosa ele tinha indicado e condenado.

A mesma disposição mental que o levou a renunciar as peculiaridades do Calvinismo, o induziu também a adotar visões mais amplas e liberais da comunhão da igreja do que aquelas que tinham até então prevalecido. Enquanto sustentava que a misericórdia de Deus não está limitada a uns poucos escolhidos, concebia como um tanto inconsistente com o espírito do Cristianismo, que homens dessa religião mantivessem afastados uns dos outros, e constituíssem igrejas separadas, meramente porque diferiam em suas opiniões quanto a alguns de seu artigos doutrinários. Ele pensava que os cristãos de todas as denominações deviam formar uma grande comunidade, unida e mantida pelos laços da caridade e amor fraternal, com a exceção, entretando, dos católicos romanos, que, por causa de sua adoração idólatra e espírito perseguidor, eram membros impróprios de tal sociedade. Que isto não era apenas agradável aos desejos de Arminius, mas um importante objeto de seus trabalhos, é evidente de uma passagem em seu testamento feito um pouco antes de sua morte: Ea proposui et docui quae ad propagationem amplificationemque veritatis religionis Christianae, veri Dei cultus, communis pietatis, et sanctae inter homines convers[at]ionis, denique ad convenientem Christiano nomini tranquillitatem et pacem juxta verbum Dei possent conferre, excludens ex iis papatum, cum quo nulla unitas fidei, nullum pietatis aut Christianae pacis vinculum servari, potest. [Expus e ensinei as coisas que poderiam contribuir para a propagação e difusão da verdade do Cristianismo, para a adoração do verdadeiro Deus, a piedade geral, e para uma santa comunhão entre os homens; em resumo, para uma tranquilidade e paz conforme a palavra de Deus e para tornar o nome cristão, excluindo o papado, com que nenhuma unidade de fé, nenhum laço de piedade, ou de paz cristão pode ser mantido.]

Mosheim mencionou esta circunstância em uma nota em sua história da igreja arminiana, mas sua declaração, ou, antes, a conclusão que ele deduz dela, é evidentemente injusta e incorreta. Ele alega que Arminius na verdade tinha preparado o plano desse sistema teológico que foi posteriormente adotado por seus seguidores, que ele tinha inculcado os seus princípios essenciais e principais nas mentes de seus discípulos, e que Episcopius e outros, que rejeitaram o Calvinismo em mais pontos do que aqueles que se relacionavam aos decretos divinos, somente propagaram, com maior coragem e perspicuidade, as doutrinas que o Arminianismo, conforme ensinado por seu fundador, já continha. Estas alegações claramente não têm nenhum tipo de relação com a passagem da qual elas são extraídas como inferências, e são totalmente inconsistentes com as afirmações, os raciocínios e as declarações de Arminius, quando ele discute os méritos da questão agitada entre ele e a escola genebrina. Arminius, além do esquema de doutrina que ensinou, foi ansioso para estabelecer esta máxima, e reduzi-la à prática, que, com a exceção acima mencionada, nenhuma diferença de opiniões deveria impedir os cristãos de permanecerem em uma igreja ou grupo religioso. Ele não pretendia insinuar que uma diferença de opinião não era de nenhuma conseqüência, que aqueles que pensavam de uma forma estavam tão certos quanto aqueles que pensavam de uma forma contrária, ou que os homens não têm razão de ser cuidadosos com os princípios religiosos que mantêm. Ele não pretendia propor que seu próprio sistema pudesse ser igualmente verdadeiro ou igualmente falso junto com o de Calvino, e dificilmente se pode supor que ele aprovasse aqueles sentimentos de seus seguidores que estavam em direta oposição aos sentimentos que ele próprio tinha mantido. Mas ele se esforçou, em primeiro lugar, para afirmar a liberdade de consciência, e de adoração, e então, sob esse princípio fundamental, persuadir todos os cristãos, não obstante divididos em opinião, a pôr de lado as distinções de grupos e facções, e em um corpo unido buscar aquela paz e tranquilidade que tanto combina com o nome cristão. Concebemos ter sido este o objetivo de Arminius, um objetivo tão indicativo de uma mente iluminada, tão de acordo com aquela caridade que tudo espera e não suspeita mal, e tão contribuinte aos interesses da religião e da paz do mundo, a ponto de refletir a maior honra sobre aquele por quem ele foi primeiramente adotado e de constituir a verdadeira glória do Arminianismo.

Após a morte de seu fundador, a controvérsia que o Arminianismo deu início continuou com a maior impetuosidade, e produziu as mais amargas e deploráveis contendas. Os arminianos não pediam nada mais do que uma simples tolerância. Esta razoável pretensão, em todas as épocas justa e legítima, era particularmente comum na Holanda, que tinha se livrado da opressão do despotismo civil e espiritual, e onde a confissão de fé aceita não determinava as questões sob debate. Ela foi vigorosamente declarada por Grotius, Hoogerbeets, Olden Barnevelt e outros de respeitabilidade e influência. E com Maurício, príncipe de Orange, e sua mãe a viúva princesa, dando apoio à alegação, houve a expectativa de que os calvinistas fossem persuadidos a entrarem em medidas pacíficas e tratarem seus irmãos discordantes com indulgência. Conformemente, no ano de 1611, uma conferência entre os partidos opostos foi realizada em Haia, em cuja ocasião, é comumente afirmado, a tolerância exigida foi oferecida aos arminianos, contanto que eles renunciassem aos erros de Socinianismo, embora os documentos que circularam entre os partidos naquela conferência, conforme autenticados por cada um deles, não continham nenhuma ressalva nesse sentido. Uma outra conferência foi realizada em Delft, em 1613. E em 1614, os Estados da Holanda promulgaram um édito, exortando os contestantes ao exercício da caridade mútua. Mas estes e outros recursos empregados para o mesmo propósito não tiveram o efeito esperado. Os calvinistas expressaram grande indignação contra os magistrados, por se esforçarem, por meio de sua autoridade, na promoção de uma união com tais adversários. A conduta dos Estados foi habilmente e eloqüentemente defendida por Grotius, em dois tratados, intitutlados, “De Jure Summarum Potestatum circa sacra,”   e “Ordinum Hollandiae, ac West-Frisiae Pietas a multorum calumniis vindicata.”

As esperanças de sucesso que os arminianos celebraram por causa da maneira indulgente com que foram tratados pelas autoridades civis, logo foi arruinada por um mal-entendido que secretamente tinha subsistido por algum tempo entre o magistrado chefe e os magistrados principais, e finalmente irrompeu em uma aberta ruptura. Maurício, suspeito de objetivar o poder soberano, foi firmemente oposto pelos líderes no governo, que tinham sido amigos e protetores dos arminianos, e a quem, portanto, estes aderiram nesta difícil crise. Por outro lado, os gomaristas, ou calvinistas, se uniram a Maurício, e inflamaram a indignação que já tinham, por várias razões, expressado contra os arminianos. O príncipe estava resolvido a imediatamente arruinar os ministros que ousaram fazer oposição aos seus planos de usurpação, e a exterminar os arminianos, por quem aqueles estadistas tinham sido entusiasticamente apoiados. Com esta finalidade ele lançou os líderes na prisão. Barnevelt, cujos longos e fiéis serviços merecia um destino melhor, morreu no cadafalso, e Grotius e Hoogerbeets, sob pretextos mais razoáveis do que sólidos, foram injustamente condenados à prisão perpétua, do qual, entretanto, o primeiro posteriormente escapou, e fugiu para a França. Sendo o alegado crime dos arminianos de natureza eclesiástica, julgou-se adequado trazer sua causa diante de uma assembléia nacional de teólogos pelo qual suas opiniões religiosas poderiam ser metodicamente e finalmente condenadas.

Sob os auspícios de Maurício, portanto, e pela autoridade dos estados gerais, um sínodo foi convocado em Dort, no ano de 1618. Diante dessa assembléia, que consistia de deputados das Províncias Unidas da Inglaterra, Escócia, Suíça e outros locais, os arminianos se apresentaram, tendo Episcopius como seu líder, para responder às acusações trazidas contra eles, de afastarem-se da religião estabelecida. Para um completo relato dos procedimentos deste sínodo, o leitor pode consultar os segundo e terceiro volumes da History of Reformation, de Brandt, e Remains of Mr. John Hales of Eaton, que esteve presente na assembléia, e conta uma narrativa sincera do que viu e ouviu. A conduta do sínodo tem sido aclamada por alguns e condenada por outros. Por um lado, tem sido colocado acima de qualquer outro sínodo desde a época apostólica, por seu equilíbrio, moderação e santidade; por outro, tem sido acusado de injustiça e crueldade, e ridizularizado em versos tais como estes:

Dordrechti synodus nodus; chorus integer, aeger;

Conventus, ventus; sessio, stramen, Amen.

[O ponto deste verso cômico, que consiste principalmente na rima das palavras latinas, é perdido numa tradução. A que segue é uma versão literal:

O sínodo de Dort, um nó; toda a assembléia, doente; a conferência, vento; a sessão, palha. Amém.]

Neal observa que ela se comportou como a maioria das assembléias semelhantes, “que alegava estabelecer artigos para a fé de outras pessoas, com sanções penais.” Isto diz muito pouco a respeito do sínodo de Dort, embora, talvez, seja até mais do que pode ser dito com verdade. Martinius de Bremen parece ter falado muito mais corretamente, quando contou aos seus amigos, “Creio agora no que Gregório Nazianzeno diz, que ele nunca tinha visto um concílio freqüentado que tenha gerado bons resultados, mas que sempre aumentou o mal antes que o removeu. Declaro assim como declarou esse pai, que eu nunca colocarei meu pé em um sínodo novamente. Ó Dort! Dort! Antes Deus quisesse que eu nunca tivesse te visto!” Os arminianos, afirmam, pediram mais indulgência do que tinham razão de esperar; entretanto, é certo que o tratamento que receberam do sínodo foi arbitrário, desleal e opressivo. Eles foram finalmente considerados culpados de heresia e hostilidade ao seu país e sua religião. E as medidas adotadas contra eles, em conseqüência desta sentença, foram das mais severas e rigorosas. Eles foram excomungados, tirados de todos os seus ofícios, civis e eclesiásticos, seus ministros foram proibidos de pregar, e suas congregações foram subjugadas. Recusando submeterem-se aos dois últimos dos rígidos decretos, eles ficaram sujeitos a multas, prisões e várias outras punições. Para evitar este tratamento tirânico, muitos deles se retiraram para a Antuérpia, outros para a França, e um considerável número para Holstein, onde foram gentilmente recebidos pelo duque Frederick, e onde, na forma de uma colônia, construíram para si mesmos uma bela cidade, chamando-a de Frederickstadt, uma lisonja ao seu amigo e protetor. A história desta colônia pode ser encontrada numa obra intitulada Epistolae Praestantium et Eruditorum Virorum Ecclesiasticae et Theologicae, e publicada por Limborch e Hartsoeker.

As crenças dos arminianos podem ser compreendidas nos seguintes cinco artigos a respeito da predestinação, redenção universal, corrupção dos homens, conversão e perseverança, a saber, 1. Que Deus, desde a eternidade, determinou conferir salvação àqueles que previu que perseverariam até o fim em sua fé em Cristo Jesus, e infligir punição eterna naqueles que continuariam em sua incredulidade e resistiriam até o fim às suas assistências divinas, de forma que a eleição foi condicional, e a reprovação da mesma maneira foi resultado da previsão da infidelidade e maldade perseverantes. 2. Que Jesus Cristo, por seus sofrimentos e morte, fez uma expiação pelos pecados de toda a humanidade em geral, e de cada indivíduo em particular; que, entretanto, ninguém senão aqueles que crêem nele podem ser participantes dos benefícios divinos. 3. Que a verdadeira fé não pode originar-se do exercício de nossas capacidades e poderes naturais, nem da força e operação do livre-arbítrio, visto que o homem, em conseqüência de sua corrupção natural, é incapaz de pensar ou fazer qualquer coia boa, e que, portanto, é necessário, a fim de sua salvação, que ele seja regenerado e renovado pela operação do Espírito Santo, que é o dom de Deus através de Jesus Cristo. 4. Que esta graça ou energia divina do Espírito Santo começa e aperfeiçoa tudo que pode ser chamado de bom no homem, e conseqüentemente todas as boas obras devem ser atribuídas a Deus apenas. Que, todavia, esta graça é oferecida a todos, e não força os homens a agirem contra as suas inclinações, mas pode ser resistida e tornada ineficaz pelas vontades perversas dos pecadores impenintentes. 5. Que Deus dá aos verdadeiramente fiéis, que são regenerados por sua graça, meios para se preservarem neste estado, e embora os primeiros arminianos tiveram algumas dúvidas a respeito da parte final deste artigo, seus seguidores uniformemente mantêm que os regenerados podem perder a fé justificadora verdadeira, ser privados de seu estado de graça e morrer em seus pecados. Os arminianos são também chamados remonstrantes, por causa de uma humilde petição intitulada sua Remonstrância, que, no ano de 1610, eles endereçaram aos Estados da Holanda. Seus escritores principais são, Arminius, Episcopius, Uitenbogart, Grotius, Curcellaeus, Limborch, Le Clerc, Wetstein, Goodwin, Whitby, Wesley, Fletcher, Tomline, etc. As obras de Arminius, com um amplo relato de sua vida e época, foi recentemente traduzida para o inglês, pelo Sr. James Nichols, e tem servido não apenas para dissipar muitas concepções equivocadas a respeito dos sentimentos deste célebre teólogo, que prevaleceram na Inglaterra, onde o Pelagianismo de alguns eminentes teólogos, geralmente chamados ARMINIANOS, contribuiu para que ele fosse injustamente acusado do mesmo erro, mas tem acrescentado uma muito valiosa coleção de tratados a nossa literatura teológica.

Calvinismo e Arminianismo: O que Eles Querem Preservar?

John Mark Hicks

Houve um significante interesse durante a década passada em um ressurgente Calvinismo (ou Teologia Reformada). Alguns chamam de um “Novo Calvinismo” (conforme o livro de Collin Hansen, Young, Restless, Reformed: A Journalist’s Journey with the New Calvinists). A popularidade de John Piper assim como a renovação do Calvinismo entre os Batistas do Sul (especificamente o Seminário Teológico Batista do Sul) é um indício de uma nova oscilação da tradição reformada. Leia uma análise e discussão deste novo fenômeno aqui.

A blogosfera está repleta de discussões contínuas entre arminianos e calvinistas. Minha lista de blogs contém dois desses sites – Evangelical Arminians e Desiring God de John Piper. A discussão aparentemente é interminável.

A minha própria educação foi no Seminário Teológico de Westminster de 1977-1979 (M.A.R) e 1981-1985 (Ph.D.). Conseqüentemente, tenho certa familiaridade com a tradição reformada, particularmente a Confissão de Fé de Westminster. Ao mesmo tempo cresci na tradição amplamente arminiana Stone-Campbell (em muitos casos de natureza mais pelagiana que arminiana) e tenho lecionado em escolas dentro dessa tradição por vinte e cinco anos. Tenho uma certa familiaridade com o Arminianismo também. De fato, uma vez contei ao meus professores de Westminster que meus estudos bíblicos, teólogicos e históricos em Westminster tinham me ajudado a passar do Pelagianismo para o Arminianismo mas eu não pude me decidir pelo Calvinismo.

Tenho uma muito profunda apreciação pela teologia reformada como um todo, embora eu não possa adotar o próprio sistema teológico caracterizado pela TULIP. Meus livros sobre teologia sacramental, por exemplo, evidenciam uma grande dívida às formulações reformadas. Mas eu também tenho uma profunda apreciação pelo Arminianismo clássico (do próprio Arminius) e sua expressão evangélica associada a Wesley.

É importante, penso, entender o que os calvinistas e arminianos pensam que é tão importante – o que é que eles querem preservar? Esta é uma pergunta crucial. Pode ser um ponto de partida significante para uma mútua apreciação ainda que não possam encontrar um acordo pleno.

No centro da teologia reformada está o desejo de dar a Deus toda a glória e excluir toda a jactância humana na obra de salvação. A fé é totalmente encontrada na graça eletiva e obra soberana de Deus. A base da eleição é a própria vontade de Deus. Os humanos não podem se gabar de sua salvação em relação a algo dentro de si mesmos; a salvação tem sua raiz no decreto divino da eleição. Os calvinistas buscam preservar a glória de Deus como a única causa da salvação.

No centro da teologia arminiana está o desejo de proclamar o amor de Deus a toda a humanidade – toda e qualquer pessoa humana. A filantropia de Deus é a raiz da salvação e este amor se estende a todos; Deus não deseja a perda de um único ser humano. Os arminianos buscam preservar a fidelidade de Deus ao seu constante amor por cada uma de suas criaturas.

Os dois se duelam na resposta à pergunta, “Por que alguns são condenados?” O calvinista responde: “porque eles não foram escolhidos” (ou mais especificamente, eles são condenados por causa de seu próprio pecado e Deus preferiu deixá-los aí). O arminiano responde: “porque eles não creram” (ou mais especificamente, a incredulidade é uma rejeição humana da oferta divina graciosa de salvação). Os calvinistas acusam os arminianos de tornar a fé uma causa meritória da salvação, o que torna uma base de jactância e deprecia a glória de Deus (em outras palavras, os humanos salvam a si mesmos com sua própria fé). Os arminianos acusam os calvinistas de subordinar o amor de Deus à glória de Deus visto que Deus deixa alguns em seus pecados para demonstrar sua justiça assim como visando sua própria glória (em outras palavras, ele ama sua própria glória mais do que ama seu mundo).

Os calvinistas perguntam como a fé como um ato humano não se torna uma obra humana de justiça se Deus não escolheu uma pessoa para a fé como resultado de sua própria graça. Os arminianos perguntam por que todos não crêem se a única causa da fé é a obra graciosa de Deus na eleição e Deus ama todas as pessoas. O calvinista quer preservar a glória de Deus e o arminiano quer preservar o amor de Deus.

Enfim – pelo menos num nível teórico ou no contexto do debate arminiano/calvinista – alguém deve escolher qual é a prioridade do coração de Deus: sua glória ou seu amor? Ou, temos mesmo que escolher? Este é um assunto para um outro post.

Tradução: Paulo Cesar Antunes

Eleição e Predestinação

Donald C. Stamps e John Wesley Adams

(Life in the Spirit Study Bible, pp. 1854, 1855)

Eleição. A escolha de Deus daqueles que crêem em Cristo é um importante ensino do apóstolo Paulo (veja Rm 8.29-33; 9.6-26; 11.5, 7, 28; Cl 3.12; 1Ts 1.4; 2Ts 2.13; Tt 1.1). A eleição (gr. eklego) diz respeito à escolha de Deus em Cristo de um povo que ele destina a ser santo e irrepreensível diante dele (cf. 2Ts 2.13). Paulo vê esta eleição como expressão da iniciativa de Deus como o Deus de infinito amor ao nos dar como criação finita toda bênção espiritual através da obra redentora de seu Filho (1.3-5). O ensino de Paulo sobre a eleição envolve as seguintes verdades:

(1) A eleição é Cristocêntrica, isto é, a eleição dos humanos ocorre somente em união com Jesus Cristo. “[Ele] nos elegeu nele” (Ef 1.4; veja 1.1, nota). O próprio Jesus é o primeiro de todos os eleitos de Deus. Acerca de Jesus, Deus afirma, “Eis aqui o meu servo, que escolhi” (Mt 12.18; cf. Is 42.1, 6; 1Pe 2.4). Cristo, como o eleito, é a base de nossa eleição. Somente em união com Cristo nos tornamos membros dos eleitos (Ef 1.4, 6, 6, 9, 10, 12, 13). Ninguém é eleito à parte da união com Cristo pela fé.

(2) A eleição é “nele… pelo seu sangue” (Ef 1.7). Deus propôs antes da criação (Ef 1.4) formar um povo através da morte redentora de Cristo na cruz. Assim, a eleição está fundamentada na morte sacrificial de Cristo para nos salvar de nossos pecados (At 20.28; Rm 3.24-26).

(3) A eleição em Cristo é primariamente corporativa, isto é, é uma eleição de um povo (Ef 1.4, 5, 7, 9). Os eleitos são chamados “o corpo de Cristo” (4.12), “minha igreja” (Mt 16.18), “povo de Deus” (1Pe 2.9), e a “noiva” de Cristo (Ap 19.7). Portanto, a eleição é corporativa e compreende os indivíduos somente quando identificados e associados com o corpo de Cristo, a verdadeira igreja (Ef 1.22, 23; veja Robert Shank, Elect in the Son [Minneapolis: Bethany House Publishers]). Isto já era verdadeiro de Israel no Velho Testamento (veja Dt 29.18-21, nota; 2Re 21.14, nota; veja o artigo sobre a Aliança de Deus com os Israelitas, p. 298).

(4) A eleição para salvação e santificação do corpo de Cristo é sempre certa. Mas a certeza da eleição para os indivíduos permanece condicional à sua fé pessoal viva em Jesus Cristo e perseverança em união com ele. Paulo demonstra isto como segue. (a) O propósito eterno de Deus para a igreja é que devemos ser “santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4). Isto se refere tanto ao perdão dos pecados (1.7) como à pureza da igreja como noiva de Cristo. O povo eleito de Deus está sendo levado pelo Espírito Santo em direção à santificação e santidade (veja Rm 8.14; Gl 5.16-25). O apóstolo repetidamente enfatiza este propósito superior de Deus (Ef 2.10; 3.14-19; 4.1-3, 13-24; 5.1-18). (b) O cumprimento deste propósito para a igreja corporativa é certa: Cristo irá “apresentar a si mesmo igreja gloriosa… santa e irrepreensível” (Ef 5.27). (c) O cumprimento deste propósito para os indivíduos na igreja é condicional. Cristo nos apresentará “santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4) somente se continuarmos na fé. Paulo afirma isto claramente: Cristo irá “vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido” (Cl 1.22, 23).

(5) A eleição para salvação em Cristo é oferecida a todos (Jo 3.16, 17; 1Tm 2.4-6; Tt 2.11; Hb 2.9) mas torna-se real para as pessoas dependendo de seu arrependimento e fé quando aceitam o dom da salvação de Deus em Cristo (Ef 2.8; 3.17; cf. At 20.21; Rm 1.16; 4.16). No momento da fé, o crente é incorporado no corpo eleito de Cristo (a igreja) pelo Espírito Santo (1Co 12.13), por meio do qual ele se torna um dos eleitos. Dessa forma, há tanto a iniciativa de Deus quanto nossa resposta na eleição (veja Rm 8.29, nota; 2Pe 1.1-11).

Predestinação. A predestinação (gr. prooizo) significa “decidir de antemão” e aplica-se aos propósitos de Deus compreendidos na eleição. A eleição é a escolha de Deus “em Cristo” de um povo (a verdadeira igreja) para si mesmo. A predestinação compreende o que acontecerá ao povo de Deus (todos os genuínos crentes em Cristo).

(1) Deus predestina seus eleitos a ser: (a) chamados (Rm 8.30); (b) justificados (Rm 3.24; 8.30); (c) glorificados (Rm 8.30); (d) conformes à imagem de seu Filho (Rm 8.29); (e) santos e irrepreensíveis (Ef 1.4); (f) adotados como filhos de Deus (1.5); (g) redimidos (1.7); (h) recebedores de uma herança (1.14); (i) para o louvor de sua glória (Ef 1.2; 1Pe 2.9); (j) recebedores do Espírito Santo (Ef 1.13; Gl 3.14); e (k) criados para realizar boas obras (Ef 2.10).

(2) A predestinação, como a eleição, se refere ao corpo corporativo de Cristo (isto é, a verdadeira igreja espiritual), e compreende os indivíduos somente em associação com esse corpo através de uma fé viva em Jesus Cristo (Ef 1.5, 7, 13; cf. At 2.38-41; 16.31).

Resumo. Acerca da eleição e predestinação, podemos usar a analogia de um grande navio em seu caminho para o céu. O navio (a igreja) é escolhida por Deus para ser sua própria embarcação. Cristo é o Capitão e Piloto deste navio. Todos que desejam fazer parte deste navio eleito e seu Capitão pode assim fazer através de uma fé viva em Cristo, pela qual eles entram a bordo do navio. Enquanto estão no navio, em companhia do Capitão do navio, eles estão entre os eleitos. Se escolherem abandonar o navio e o Capitão, eles deixam de fazer parte dos eleitos. A eleição é sempre somente em união com o Capitão e seu navio. A predestinação nos diz sobre o destino do navio e o que Deus preparou para os que permanecerem nele. Deus convida todos a embarcar no navio eleito através da fé em Jesus Cristo.

Tradução: Paulo Cesar Antunes

ROMANOS 9.18

Rm 9.18

C. E. B. Cranfield

De modo que ele faz misericórdia a quem quer e endurece a quem ele quer. Duas formas contrastantes da resolução de Deus sobre os homens, correspondentes aos dois modos diferentes em que os homens podem servir a finalidade divina, são assinaladas por “faz misericórdia” e “endurece”. Alguns a servem conscientemente e (mais ou menos) voluntariamente, outros, inconsciente e involuntariamente. E as atitudes dos homens em relação à finalidade de Deus dependem, em última análise, de Deus. Ele faz misericórdia a alguns, no sentido de que os dirige para papel positivo em relação à sua finalidade, para serviço consciente e voluntário: a outros endurece, no sentido de que os dirige para papel negativo em relação à sua finalidade, para serviço inconsciente, involuntário. Todavia, a significação do duplo “ele quer” é regulada pelas palavras citadas no versículo 15. Nós não somos livres para entendê-lo no sentido em que muitas vezes foi entendido, a saber, de vontade totalmente não qualificada, indeterminada, absoluta, a qual se move ora numa direção, ora em outra, voluvelmente; mas apenas entendê-lo levando em conta o versículo 15, como a vontade misericordiosa de Deus, a qual, na verdade, é livre, no sentido de ser inteiramente determinada uma vez que é a vontade do Deus compassivo e justo. Ambos, o “faz misericórdia” e o “endurece”, embora tão diferentes nos seus efeitos, são expressões da mesma vontade misericordiosa (cf. 11.32).

O pano de fundo do emprego, por Paulo, de “endurecer” deve ser visto em Êx 4.21; 7.3; 9.12; 10.20, 27; 11.10; 14.4, 8, 17. Não há que negar que existem aqui dificuldades. É óbvio que, para o indivíduo envolvido, é assunto de enorme conseqüência, se foi dirigido para papel positivo ou para negativo em relação à finalidade divina. Perder o privilégio inapreciável de pertencer aqui nesta vida presente à companhia dos que são testemunhas conscientes e (mais ou menos) bem dispostas e agradecidas à graça de Deus, está longe, na verdade, de ser perda insignificante. Porém, enquanto nós, certamente, não deveríamos tentar abrandar inteiramente as reais dificuldades deste versículo, é também importante evitar interpretá-lo de forma que ele não diz. A suposição segundo a qual Paulo pensa no destino final da pessoa, da sua salvação final ou ruína final, não é justificado pelo texto. As palavras “para a destruição” são de fato usadas no versículo 22; porém, não temos o direito de interpretá-los retrojetadas ao versículo 18.

Extraído de Comentário de Romanos, pp. 219, 220

A Soberania de Deus

A. W. Tozer

Knowledge of the Holy, cap. 22.

Outro real problema criado pela doutrina da soberania divina tem a ver com a vontade do homem. Se Deus rege Seu universo mediante Seus decretos soberanos, como é possível que o homem exerça livre escolha? E se ele não pode exercer liberdade de escolha, como ele pode ser considerado responsável por seu comportamento? Ele não é uma mera marionete cujas ações são determinadas por um Deus que fica atrás dos bastidores mexendo os pauzinhos conforme lhe agrada?

A tentativa de responder tais questões tem dividido a igreja cristã organizadamente em dois grupos que carregam os nomes de dois distintos teólogos, Jacó Armínio e João Calvino. A maioria dos cristãos está satisfeita em se envolver em um grupo ou outro e negar ou a soberania de Deus ou o livre-arbítrio do homem. Parece possível, entretanto, reconciliar estas duas posições sem fazer violência a cada uma, embora o esforço que segue pode mostrar-se deficiente aos partidários de um grupo ou outro.

Aqui está a minha opinião: Deus soberanamente decretou que o homem fosse livre para exercer escolha moral, e o homem desde o começo tem cumprido esse decreto fazendo sua escolha entre o bem e o mal. Quando ele escolhe fazer o mal, ele não está agindo, por meio disso, contra a vontade soberana de Deus, mas a cumprindo, considerando que o decreto eterno decidiu, não qual escolha o homem deveria fazer, mas que ele devesse ser livre para fazê-la. Se em Sua absoluta liberdade Deus desejou dar ao homem uma liberdade limitada, quem poderá impedir Sua mão ou dizer, “Que fazes?” A vontade do homem é livre porque Deus é soberano. Um Deus menos que soberano não poderia conceder liberdade moral às Suas criaturas. Ele teria medo de fazer isso.

Talvez uma simples ilustração possa nos ajudar a entender. Um transatlântico deixa Nova Iorque em direção a Liverpool. Seu destino foi determinado pelas autoridades competentes. Nada pode mudá-lo. Este é pelo menos um pequeno quadro da soberania.

A bordo do transatlântico está uma multidão de passageiros. Estes não estão em correntes, nem suas atividades lhes são determinadas por decreto. Eles são completamente livres para movimentarem-se para lá e para cá conforme desejarem. Eles comem, dormem, divertem-se, ficam à toa no convés, lêem, falam, tudo como desejam, mas ao mesmo tempo o grande transatlântico está conduzindo-os constantemente em frente, em direção a um porto predeterminado.

Ambas a liberdade e a soberania estão presentes aqui e elas não se contradizem. Assim é, creio, com a liberdade do homem e a soberania de Deus. O poderoso transatlântico do propósito soberano de Deus mantém seu curso constante através do mar da história. Deus se move imperturbado e desimpedido rumo ao cumprimento desses propósitos eternos que Ele propôs em Cristo Jesus antes que o mundo começou. Não sabemos tudo que está incluído nesses propósitos, mas o suficiente nos foi revelado para nos fornecer um amplo esboço das coisas e que vem nos dar uma boa esperança e uma sólida garantia do bem-estar futuro.

Sabemos que Deus cumprirá cada promessa feita aos profetas; sabemos que os pecadores um dia serão varridos da terra; sabemos que um grupo resgatado entrará para o gozo de Deus e que os justos irão resplandecer no reino de seu Pai; sabemos que as perfeições de Deus todavia receberão aclamação universal, que todas as inteligências criadas confessarão Jesus Cristo Senhor para a glória de Deus Pai, que a presente ordem imperfeita será abolida, e um novo céu e uma nova terra será estabelecida para sempre.

Na direção de tudo isto Deus está se movendo com infinita sabedoria e perfeita precisão de ação. Ninguém pode dissuadi-lo de Seus propósitos; nada O desvia de Seus planos. Visto que Ele é onisciente, não pode haver circunstâncias imprevistas, nem acidentes. Visto que Ele é soberano, não pode haver ordens canceladas, nem quebra de autoridade; e visto que Ele é onipotente, não pode haver falta de poder para atingir Seus fins escolhidos. Deus é suficiente a Si mesmo por todas estas coisas.

Ao mesmo tempo as coisas não são tão fáceis como este ligeiro esboço pode sugerir. O mistério da iniquidade já opera. Dentro da ampla esfera da vontade soberana e permissiva de Deus o mortal conflito do bem com o mal continua com fúria crescente. Deus todavia conseguirá o que quer no furacão e na tempestade, mas a tempestade e o furacão estão aqui, e como seres responsáveis devemos fazer nossas escolhas na presente situação moral.

Certas coisas foram decretadas pela livre determinação de Deus, e uma destas coisas é a lei de escolha e conseqüências. Deus decretou que todos que desejosamente se entregam a Seu Filho Jesus Cristo em obediência de fé receberão a vida eterna e se tornarão filhos de Deus. Ele também decretou que todos que amam as trevas e continuam em rebelião contra a suprema autoridade do céu permanecerão em um estado de alienação espiritual e finalmente sofrerão a morte eterna.

Reduzindo toda a questão em termos individuais, chegamos a algumas conclusões vitais e bem particulares. No intenso conflito moral que agora nos cerca, quem quer que esteja do lado de Deus está do lado que vai ganhar e não pode perder; quem quer que esteja do outro lado está do lado que vai perder e não pode ganhar. Não há aqui nenhuma sorte, nenhum jogo. Há liberdade de escolha de qual lado estaremos mas nenhuma liberdade para negociar os resultados da escolha uma vez que ela é feita. Pela misericórdia de Deus podemos nos arrepender de uma escolha equivocada e alterar as conseqüências fazendo uma escolha nova e correta. Além disso não podemos ir.

Toda a questão da escolha moral gira em torno de Jesus Cristo. Cristo afirmou claramente: “Aquele que não está comigo está contra mim,” e “Ninguém vem ao Pai senão por mim.” A mensagem do evangelho incorpora três elementos distintos: um anúncio, um comando e um chamado. Ele anuncia as boas novas da redenção realizada em misericórdia; ele comanda todos os homens em todos os lugares a arrependerem-se e chama todos os homens a submeterem-se aos termos da graça crendo em Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

Todos nós devemos escolher se obedeceremos ao evangelho ou nos desviamos em incredulidade e rejeitamos sua autoridade. A escolha somos nós que fazemos, mas as conseqüências da escolha já foram determinadas pela vontade soberana de Deus, e dela não há apelação.

Tradução: Paulo Cesar Antunes

É Possível Perder a Salvação,

Se ela Nos Foi Concedida pela Graça de Deus?

Pr. Ciro Sanches Zibordi

O livro de Romanos é sempre evocado pelos predestinalistas quando se veem diante de questões que não conseguem responder, como a clara possibilidade de o salvo – se não tiver cuidado – perder a sua salvação (1Co 15.1, 2; Hb 6.4-6; 2Pe 2.1, 20-22). Por isso, responderei a alguns questionamentos que tenho recebido acerca da aludida epístola, começando pelo capítulo 9. Depois, se Deus quiser, analisarei outros capítulos.

Creio que alguns predestinalistas continuarão desdenhando desta série, dizendo: “Pobre pentecostal, assembleiano, arminiano e semi-pelagiano”. Mas não tenho dúvidas do quanto o texto em apreço tem sofrido na mão dos predestinalistas, que o adaptam às suas teorias extrabíblicas.

Como se sabe, os predestinalistas não aceitam que o Senhor Jesus tenha morrido por toda a humanidade, tampouco admitem que a aceitação da graça se dá mediante o livre-arbítrio, opondo-se ao texto áureo da Bíblia (Jo 3.16). Para eles, somente os eleitos antes da fundação do mundo estão, por decreto, definitivamente salvos, haja o que houver. E eles pensam ter toda a Bíblia a seu favor. É como se Deus fosse calvinista!

Como é perigoso apegar-se a passagens isoladas, que, fora do contexto, podem sugerir que Deus tenha eleito uns para a perdição e outros para a salvação, farei a partir de agora uma análise de Romanos 9 à luz do seu contexto imediato (toda Epístola de Romanos) e do seu contexto geral ou remoto (toda a Bíblia). E começarei pelo versículo 16, haja vista a sua aparente sugestão de que não existe o livre-arbítrio: “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadesse”.

Observemos que o mencionado versículo não se refere ao meio pelo qual se recebe a salvação, e sim à fonte da salvação. A ênfase de que a salvação não depende do que quer, mas do compassivo Deus, não deve ser usada fora de contexto, com a finalidade de descartar a livre-vontade humana, necessária para o recebimento da salvação e sua manutenção, segundo a Bíblia (Jo 1.12; 3.16; Rm 10.9, 10; Ef 2.8-10; 1Co 15.1, 2; Ap 20.12).

Se tomarmos como base outros textos neotestamentários, veremos que, conquanto a graça de Deus seja a fonte da salvação, o ser humano pode rejeitar essa dádiva divina, antes ou depois de ter sido salvo (2Pe 3.9; At 7.51; Rm 9.22; Hb 6.6; 2Pe 2.20). Mas, e os versículos 21 e 22 de Romanos 9, pelos quais se mencionam os vasos da ira, preparados pelo Oleiro para a perdição?

Bem, quando a Palavra de Deus emprega a analogia dos vasos, a ênfase é para o fato de que, de acordo com a nossa resposta moral a Deus (cf. 2Tm 2.20, 21), o vaso poderá ser moldado ou desfeito nas mãos do Oleiro (Os 8.8, ARC). Quem lê atentamente Jeremias 18 sabe que o Senhor não ignora o livre-arbítrio. Ele mesmo disse, depois de ter apresentado a Jeremias uma analogia sobre um vaso que se quebrou na mão do oleiro: “Se a tal nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe” (v. 8).

À luz do contexto geral da Bíblia, vasos da ira são os pecadores que recebem a ira de Deus por escolherem permanecer no pecado. Da mesma forma, os vasos de misericórdia são os pecadores que recebem a misericórdia de Deus (Rm 9.23), ao crerem no evangelho de Cristo (Rm 1.16). Os vasos da ira são objetos da ira divina porque se recusam a se arrepender. Daí o fato de Deus suportá-los com longanimidade (Rm 9.22), isto é, esperar pacientemente por seu arrependimento (2Pe 3.9).

É claro que o argumento acima não convence uma mente predestinalista. Por quê? Porque, como está escrito no versículo 22 que os tais vasos da ira foram preparados para a destruição (ou perdição), acredita-se – ignorando-se o contexto – que a tal preparação para a perdição se deu antes da fundação do mundo. E, para advogar essa ideia, toma-se o próprio capítulo em apreço, pelo qual se afirma (segundo se pensa) que Jacó e Esaú já nasceram preparados para o que fariam no mundo.

Os versículos 11 a 13 de Romanos 9 parecem mesmo apoiar o fatalismo predestinalista, pelo qual se propaga a eleição arbitrária de indivíduos para salvação e perdição, antes da fundação do mundo. Afinal, o texto diz que Deus amou Jacó e aborreceu (odiou, rejeitou) Esaú. Parece mesmo não haver dúvidas de que o Senhor somente ama os eleitos e odeia os não-eleitos. Parece... Mas não é!

É preciso observar que a Palavra de Deus, através de Paulo, não está falando de indivíduos! Jacó (Israel) e Esaú (Edom) representam duas nações! Basta lermos com atenção Gn 25.23 para chegarmos a essa conclusão. Não há, pois, apoio a uma eleição individual, e sim a uma eleição de povos e nações: Israel e Edom. O que houve antes de os gêmeos nascerem foi uma eleição corporativa, e não individual. A passagem em análise não diz que Deus odiou a pessoa de Esaú antes que ela tivesse nascido, nem que Ele amou a pessoa de Jacó antes de este ter vindo ao mundo! Prova disso é que o apóstolo Paulo não citou Gn 25.23, diretamente, e sim Ml 1.2, 3, que alude aos povos israelita e edomita.

Segue-se que a frase “aborreci Esaú” não é uma menção à rejeição do homem Esaú, e sim à rejeição do povo edomita, em razão de seus terríveis pecados, como se lê em Números 20 e Obadias. Mas isso não significa que todos os edomitas estejam, de antemão, condenados em razão de pertecerem à nação de Edom (cf. Am 9.12). A Palavra de Deus afirma que os indivíduos de cada nação podem ser salvos (Ap 7.9). Não era Rute uma moabita, pertencente a um povo rejeitado por Deus?

É um erro, por conseguinte, acreditar que o texto de Romanos 9 alude à eleição de indivíduos que uma vez salvos, salvos para sempre. Paulo se refere à eleição do povo de Israel (cf. Rm 10.1). O que a Palavra de Deus ensina em Romanos (toda a epístola) é o que se vê em toda a Bíblia. Deus elegeu um povo como nação sacerdotal, Israel (Êx 19.5, 6), mas cada indivíduo tem de aceitar a graça de Deus pela fé, a fim de que seja salvo (Rm 11.20). E isso também se aplica à Igreja (1Pe 2.9, 10; Jo 8.24).

Outrossim, o ódio de Deus a Esaú (Edom) precisa ser entendido de acordo com o sentido original da palavra usada para “odiei” (ou “rejeitei”). No hebraico, significa “amar menos” e é o mesmo termo aplicado ao sentimento de Jacó por Léia, o qual era inferior ao que ele nutria por Raquel (Gn 29.30, 31). O seu sentimento por Léia não era de ódio, como que querendo vê-la sofrer. Na verdade, ele até teve filhos com ela! Mas Raquel era a sua preferida.

No Novo Testamento o aludido hebraísmo também ocorre em Lc 14.26, texto pelo qual aprendemos que, para seguirmos ao Senhor Jesus, amando-o acima de tudo, devemos amar menos (ou “aborrecer”) a nossa família (Mt 10.37).

Nos versículos 14 e 15 do capítulo em apreço está escrito: “Que diremos, pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma! Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia”. A citação de Paulo refere-se ao endurecimento de Faraó (Êx 7.3, 4). Mas é importante enfatizar que não foi Deus quem primeiro endureceu o coração de Faraó (Êx 7.13, 14, 22).

Faraó se obstinou em seu coração (Êx 8.15), o qual permaneceu endurecido e obstinado, mesmo diante das pragas enviadas por Deus (Êx 8.19, 32; 9.7, 34, 35). O Senhor apenas confirmou o que o próprio Faraó desejava fazer (Êx 9.12; 10.1, 20, 27). Isso se conforma ao que está escrito em Rm 1.21-28 acerca da depravação dos gentios, os quais, depois terem se endurecido, ao rejeitarem a Deus, foram entregues pelo próprio Senhor a um sentimento perverso.

Fica claro que o endurecimento de Faraó se deu em razão de ele ter se firmado cada vez mais em seu pecado, a cada praga enviada ao Egito (cf. Pv 29.1). Ademais, o termo hebraico usado para “endurecer” denota “fortalecer”; isto é, Deus apenas “fortaleceu” o desejo que estava no coração de Faraó. Este foi abandonado às suas paixões infames e entregue a um sentimento perverso (Êx 8.15), posto que não se importou em ter conhecimento de Deus (Jo 12.37-50). Ainda em Romanos, o apóstolo Paulo discorre sobre essa dureza ocasionada pelo próprio pecador, e não por Deus (2.5).

Portanto, o texto de Romanos 9 de maneira alguma avaliza a predestinação incondicional de certas pessoas ao Inferno eterno, à parte do próprio livre-arbítrio delas. E, consequentemente, não abona o clichê antibíblico “Uma vez salvo, salvo para sempre”. O ser humano, por si mesmo, nada pode fazer para salvar-se. Mas é inegável o fato de o Senhor ter dotado o homem de intelecto, sentimento e vontade, a fim de que ele receba ou não, pelo livre-arbítrio, a salvação, ou a rejeite, mesmo depois de tê-la recebido.

“Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação...?” (Hb 2.3).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CHAMPLI, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Ed. Hagnos

STRONG, A. H. Teologia Sistemática. Ed. Hagnos

PETERS, G. W. Teologia Bíblica de Missões. Ed. CPAD.

DICIONÁRIO BÍBLICO WYCCLIFF. Ed. CPAD.

STERN, DAVID. H. Comentário Judaico do Novo Testamento. Ed. Atos

STAMPS, DONALD C. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Ed. CPAD.

REFERÊNCIAS DOS ARTIGOS QUE FORAM REPRODUZIDOS NESTE ESTUDO E PESQUISA NA WEB:

http://www.monergismo.com/textos/predestinacao/infra_supra_phil.htm

http://www.arminianismo.com/

http://cirozibordi.blogspot.com/


[1] R. N. Champlin. Enciclopédia de Bíbia, Teologia e Filosofia. Ed. Hagnos.

[2] Augustus Hopkins Strong. Teologia Sistemática. Volume 2. p.1370. Ed. Hagnos.

[3] G. W. Peters. Teologia Bíblica de Missões. P.62. Ed. CPAD.

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