terça-feira, 26 de julho de 2011

CURSO PREPARATÓRIO PARA DISCIPULADORES Lição 2 Relembrando a Principal Missão da Igreja


Lição 2. RELEMBRANDO A PRINCIPAL MISSÃO DA IGREJA
“isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação.” [1]

 “o movimento evangélico atual está visceralmente em colapso.” - (Ricardo Gondim) [2]

Declarações como esta de Ricardo Gondim, cada vez mais são ouvidas por diversas vozes entre as principais lideranças evangélicas brasileiras, chamando a atenção de meios de comunicação secular, que realizam reportagens como a da revista Época[3], que chama atenção as mudanças que ocorreram dentro da religião evangélica nos últimos anos e tem gerado muitos cristãos evangélicos insatisfeitos com a nova postura de grande parte da liderança evangélica brasileira, e de seus pregadores ao aderirem a novas práticas e teologias em suas liturgias, com a intenção de agregarem novos membros. Dezenas de blogs na internet têm em seus textos exposições de corações e almas machucadas de pessoas que foram vítimas ou testemunharam abusos feitos em nome de Deus. A pergunta que de fato não quer calar, feita por todos é: O que de fato aconteceu com a igreja evangélica brasileira atual?

Entendo que a reposta simples é: o que a igreja evangélica moderna precisa, e urgentemente, é lembrar-se de sua principal, que é a de levar a efeito a grande comissão, Fazer discípulos de Jesus Cristo de todas as nações. Não simplesmente ajuntar novos membros, porém fazer discípulos de Jesus Cristo. Levar a mensagem da “reconciliação de Deus com o mundo em Cristo”, e não formar consumidores de religião. Discípulos de Jesus Cristo geram em corações desejosos pelo Senhor, com a ação do Espírito Santo e pela Palavra de Deus, discípulos de Jesus Cristo. Todavia, consumidores das “bênçãos de Deus” geram cristãos egoístas, que não são discípulos de Jesus, mas apenas membros de igreja, que defendem sua denominação a beira do fanatismo, que quando são despertados deste “transe” precisam ser verdadeiramente curados pelo Senhor.
Entretanto, uma nova pergunta se faz necessária: O que é de fato a Grande Comissão, o que ela significa?

O QUE AS ESCRITURAS AFIRMAM SER A GRANDE COMISSÃO.
     
A Grande Comissão é a ordenança de Jesus registrada nas Escrituras Sagradas como testemunho e orientação para a Sua igreja levar a mensagem do evangelho, pregando, batizando, ensinado, fazendo discípulos de todas as nações. Ela não declara a missão completa da igreja neste mundo, mas a sua atividade principal que se preocupa com a sua expansão no mundo daqueles que não fazem parte da igreja. Sua principal ênfase é evangelizar e fazer discípulos, servindo como guia na realização dessa tarefa.
  
Apesar de a referência em Mateus 28.18-20, ser tida como a referência principal das escrituras para autenticar a grande comissão dada pelo Senhor Jesus Cristo, ela não é a única referência bíblica para a autorização e direção para a grande comissão. Ela foi testemunhada por cada um dos autores dos evangelhos:
“E chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos. Amém!” (Mt 28. 18-20).
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” (Mc 16.15-16).
“E disse-lhes: Assim está escrito e assim convinha que o Cristo padecesse e, ao terceiro dia, ressuscitasse dos mortos; e, em seu nome, se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E dessas coisas sois vós testemunhas. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.” (Lc 24. 46-49).
“Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E havendo dito isso, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.” (Jo 20. 21-22).
“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e serme-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8)

            Diante do Rei Agripa, Paulo, ao testemunhar a ele sobre a sua conversão, atesta sobre as Palavras da Grande Comissão em sua conversão e comissão divina:
         “ao meio dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que iam comigo. E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava e, em língua hebraica, dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te deste povo e dos gentios a quem agora te envio, para lhes abrires os olhos e das trevas os converteres a luz e do poder de Satanás a Deus, a fim de que recebam a remissão dos pecados e sorte entre os santificados pela fé em mim.” (At 26. 13-18).

            Podemos ver que cada autor relatou inspirado pelo Espírito Santo, esta ordenança de Cristo, e testemunha não só a sua importância para mover a verdadeira igreja desde o seu início, mas também é uma conclusão natural para o ministério do evangelho, pois não é a grande comissão que torna o cristianismo uma religião missionária, mas ela é assim devido a sua própria natureza, sua fonte divina. Mesmo que ela não existisse nas páginas das Escrituras Sagradas, o cristianismo não deixaria de ser uma religião missionária porque o que a move é a presença do Espírito Santo, como observa George W. Peters:

“Os apóstolos tornaram-se missionários não devido a uma comissão, mas devido ao cristianismo ser o que é devido à presença do Espírito Santo, que é um Espírito que se comunica e testemunha. O próprio Cristo fala da missão do Espírito Santo como uma missão de testemunho (Jo 15.26; 16.8-15). Dessa forma, se as palavras particulares da Grande Comissão nunca tivessem sido registradas ou preservadas, a responsabilidade e o ímpeto missionário da igreja não seriam nem um pouco afetados. Ela prospera onde quer que o cristianismo seja realmente conhecido, plenamente acreditado, genuinamente vivido e implicitamente obedecido.” [4]

            Apesar de cada autor relatar as palavras de Cristo sobre a Grande Comissão de sua forma singular e perspectiva pessoal, inspirados pelo Espírito Santo, podemos ver que elas, quando observadas em conjunto, trazem uma visão coerente e ordenada sobre a tarefa de fazer discípulos de todas as nações. “Ide e pregai” e “fazei discípulos” nos são apresentados de modo equilibrado, juntamente com a autoridade das profecias das Escrituras hebraicas de Lucas (“assim está escrito”) e o preparo espiritual e a presença do Espírito Santo tornando dinâmica, dando ação espiritual à Grande Comissão em João (“recebamos o Espírito Santo”).
           
Estas verdades não podem ser ignoradas, pois, apesar de a Grande Comissão não relatar toda a missão da igreja neste mundo, pode-se afirmar que ela é o coração, a base de todo o conjunto da missão da igreja nesta dispensação em que Deus busca reconciliar-se com o ser humano através de Cristo. Foi assim no início da igreja. Após a descida do Espírito Santo em pentecostes, a Grande Comissão foi o guia de toda a atividade missionária da igreja primitiva, e tem sido assim para a verdadeira igreja do Senhor Jesus de todas as eras. Peters faz uma observação importante sobre seu objetivo principal e o que a igreja evangélica moderna deve verdadeiramente fazer para executar esta tarefa:

“Ao considerarmos composta a Grande Comissão como registrada em todos os quatro Evangelhos, percebemos o seguinte fato: o objetivo principal é “fazei discípulos” de todas as nações. A fim de realizar esse propósito, devemos fazer o seguinte:
1.       Devemos nos engajar em uma divulgação intensiva e extensiva do Evangelho em todas as nações, difundindo-o de forma plena e persuasiva como está registrado nas Escrituras.
2.       Devemos fazer as pessoas experimentarem a graça de Deus possibilitada através da morte e ressurreição de Jesus Cristo, e oferecer o perdão do pecado em seu nome a todos os que acreditam no Evangelho.
3.       Devemos separar as pessoas das antigas relações e ligações e uni-las à nova congregação de Deus através da prática do batismo precedida e seguida pelo ensinamento.
4.       Devemos ensiná-las o valor e a grandeza das bênçãos do Espírito Santo e conduzi-las a uma caminhada e ministério obedientes ao e dependentes do Espírito Santo.
5.       Devemos instruí-las quanto aos preceitos do Mestre e, dessa forma, através da renovação de suas mentes, moldá-las de acordo com o verdadeiro discipulado cristão.
Tal é o padrão de nosso ministério de acordo com a Grande Comissão. Nenhum desses elementos pode ser omitido ou negligenciado.

Como a igreja moderna pode levar esses elementos presentes na Grande Comissão a efeito, sem usar de elementos estranhos à Palavra de Deus em sua liturgia e teologia? Ou até mesmo se livrar deles hoje? Se a Bíblia mostra que a Grande Comissão é guia para a igreja durante esta era, devemos conseqüentemente aprender como nossos irmãos desempenharam seu importante papel no início da igreja primitiva, e trazer estas lições para hoje, com a ajuda de Deus.

Ev. Alan G. de Sá


[1] 2 Coríntios 5.19.
[2] ALEXANDRE, Ricardo. A nova reforma protestante. Revista Época. 9 de agosto de 2010, Editora Globo,  p.86.
[3] Idem.
[4] PETERS, George W. Teologia Bíblica de Missões. Rio de janeiro: CPAD, 2000, p. 211.

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