quinta-feira, 29 de maio de 2014

A INVEJA, UM VENENO MORTÍFERO PARA A VIDA

A INVEJA, UM VENENO MORTÍFERO PARA A VIDA.

Comentário para a lição de n. 9, para a revista da Escola Bíblica Dominical "Enfermidades da Alma", do Pr. Israel Maia.

INTRODUÇÃO

"O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos. Provérbios 14.30.

Uma outra tradução para esse texto fala assim:

Um coração pacífico é a vida para o corpo, mas a inveja é cárie para os ossos. Provérbios 14.30 - BJ.

Segundo alguns comentaristas, esse texto fala que ao termos uma atitude interior tranquila e pacífica, traz saúde para o corpo, mas a inveja, o ressentimento e outras atitudes mentais doentias são prejudiciais para a saúde da pessoa, começando pelo prejuízo trazido na área espiritual e emocional. Nesta lição vamos falar sobre a inveja, e seus malefícios.

1. CONCEITO DE INVEJA.

No hebraico a palavra é qinah que significa zelo, ciúme. Segundo Champlin, essa palavra é empregada por quarenta e duas vezes no Antigo Testamento.
A inveja é um sentimento sempre negativo, ao passo que o zelo; pode ser negativo ou positivo. A inveja é uma das maiores demonstrações de mesquinharia humana, causada pela queda no pecado.

1.1 Inveja construtiva.

Segundo a psicologia científica, a inveja pode ser construtiva ou positiva quando a pessoa toma alguém que é bem sucedido como referência para atingirmos o que ele conseguiu atingir, para chegarmos onde alguém de sucesso chegou porém nesse caso é necessário uma auto-estima que torna tal pessoa confiante nas suas capacidades.

Biblicamente nenhum tipo de inveja é considerada construtiva, pois como falamos anteriormente, ela e uma das maiores demonstrações da natureza pecaminosa do ser humano. Ela é tratada como um sentimento que destrói e causa divisão (Tg 3.14-16).

1.2  Inveja destrutiva.

A inveja é considerada pecado por que uma pessoa invejosa  ignora suas próprias bênçãos e deseja insanamente o status da outra pessoa. É o caso de Saul e Davi, onde vemos Saul louco para destruir Davi, se esquecendo de seu próprio reinado. E um sentimento anticristão (1 Co 3.3). Só o amor de Deus derramado em nossos corações é que pode eliminar o sentimento de inveja dentro de nossos corações no nosso dia a dia. (Tg 3.3-8; Jo 13. 12.-17).

1.3 Os malefícios da inveja.

Em primeiro lugar, como diz o texto da palavra de Deus, traz prejuízos graves na vida da própria pessoa, pois esta se corrói por dentro desejando o que o outro tem, se esquecendo dos benefícios que recebeu, das coisas boas que possui, deixando de seguir a sua própria vida e buscar os seus próprios ideais desejando viver a vida de outra pessoa, de conquistar os bens do outro.

Traz também consequências graves na vida daquele que é invejado. Por exemplo, a crítica destrutiva é um grande exemplo de máscara da inveja. A calúnia se dá porque o invejosos se sente inferior a pessoa invejada. Por isso a necessidade de falar mal da pessoa invejada.

Os invejosos chegam a fazer campanhas de perseguição contra aqueles que eles invejam as quais na maioria das vezes não tem qualquer culpa de terem despertado esse sentimento invejoso.É uma tentativa distorcida para se sentir compensado pelo proprio fracasso, glorificando o seu proprio eu e diminuindo a pessoa invejada.

A palavra portuguesa inveja, segundo Champlin, vem do latim invidere, que significa em (contra) e olhar para, ou seja, olhar para alguém de modo contrario  com maus olhos, com base no ódio sentido contra esse alguém. Ela sempre envolve ressentimento, e alguns sempre conseguem disfarçá-la usando o pretexto de proteger uma causa, quando na verdade, querem é combater alguém por quem tem inveja.

2. CASOS BÍBLICOS DIVERSOS.

2.1 José, invejado por seus irmãos.

Alguns psicólogos sugerem que esse sentimento se origina no ambiente familiar, onde comparações são frequentes. O fato é que desde cedo, a sociedade e até mesmo dentro de casa as comparações estão presentes, como "este é mais bonito" ou "é mais inteligente que o outro", etc.

Jacó, sem perceber estava fazendo a mesma coisa que seu pai Isaque, ao preferir um dos filhos acima do outro (Gn 25.28). Pode ser porque José o fazia lembrar Raquel. O resultado então foi uma divisão entre José, que então tinha seus dezessete anos e seus meio-irmãos. Essa roupa ornamentada, destacava José em relação aos demais.

2.2 A insubordinação de Arão e Miriã gerados pela inveja.

O versículo 2, de números 12 demonstra o sentimento de inveja que Arão e Miriã tinham por Moisés. Não há que duvidar que Arão e Miriã ainda viam Moisés como o caçula e se ressentiam de sua posição de liderança com o povo e de seu favor com Deus. A inveja que eles tiveram de Moisés, levaram-nos a cometerem o pecado de arruinar a influencia do líder de Deus e de questionar sua autoridade.

2.3 A inveja de Saul contra Davi.

Outra característica e lição sobre a pessoa invejosa é que ela nesse insano desejo de tomar o lugar do outro ou de ter aquilo que o outro tem, não enxerga mais a si mesma, e não percebe que o resultado de seu insucesso são consequências de suas próprias atitudes, sendo ela mesma e não a outra pessoa responsável por sua situação. É o que vemos nesse caso de Saul e Davi (1 Sm 18.7-8; 1 Sm 13.14; 1 Sm 24.2)

3. A AÇÃO DE DEUS.

3.1 A surpresa dos invejosos

Aprendemos com José que o nosso correto testemunho diante de Deus e dos homens, pode ser o meio de Deus glorificar o seu nome e realizar os seus misteriosos planos mesmo em meio ao nosso aparente fracasso e derrota.

3.2 Punição para os invejosos.

Ao estar branca como a neve, quer dizer que Miriã estava já nos últimos estágios da doença como sinal da punição de Deus contra esse castigo. A lepra, em muitos casos na palavra de Deus, é muito usada para tipificar o pecado. Miriã, que num momento se exaltara em orgulho próprio a ponto de pensar que deveria estar em posição igual ao líder de todo o Israel, no momento seguinte foi banida do acampamento nas circunstâncias mais humilhantes. Este é o resultado do pecado do orgulho (Pv 16.18; Is 10.33).

3.3 A vitória daqueles que não são vencidos pelo sentimento de inveja.

Devemos sempre pedir a Deus que nos guarde desse sentimento, pois é muito claro na Palavra de Deus as consequências na vida daqueles que se deixam dominar por tal sentimento. Ao percebermos que somos vítimas desse tipo de perseguição, não devemos ceder aos sentimentos dos invejosos, seja em que ambiente for. Devemos sim buscar nossos objetivos e viver tudo aquilo que Deus planejou para nós, lembrando que Deus resiste aos soberbos, porem dá graça aos que sao humildes (1 Pedro 5.5-6).

CONCLUSÃO.

Sempre devemos ter em mente que a Palavra de Deus nunca trata o sentimento de inveja de modo construtivo ou positivo. Os Dez Mandamentos proíbem o sentimento de inveja. Podemos ver mandamentos específicos contra a inveja nos livros de Salmos e Provérbios (por exemplo Sl 37.1; 73.2,3; Pv  3.31 23.17; 24.1,19.

No trecho de Eclesiastes 4.4 são  exortados a trabalharem e desenvolverem suas habilidades pessoais quando sentirem inveja de outras pessoa.

Poderíamos ainda falar de Hamã e Mardoquel no livro de Ester como um outro exemplo.

No Novo Testamento, em Romanos 1.29, a inveja ocupa um lugar proeminente, associada ao homicídio e ao ódio contra Deus, sugerindo que a pessoa invejosa ataca a outra por quem sente inveja justamente por não poder atacar a Deus, a quem considera causa de seu fracasso. Paulo exorta Timóteo e Tito para não se envolverem em contendas que entre outras coisas conduzem a inveja (1 Tm 6.4; Tt 3.3).

O caso mais trágico de inveja registrado na Palavra de Deus é a dos líderes judeus que fizeram de nosso Senhor Jesus Cristo vítima de inveja (Mateus 27.28, sendo que o próprio Pilatos percebeu isso (Marcos 15.10ss).
A inveja é uma atitude carnal e diabólica  (1 Co 3.3;1 Jo 3.12), sendo uma das obras da carne, fazendo parte da natureza humana decaída (Gálatas 5.21). Em Cristo Jesus, Deus nos dá um novo coração que nos livra e nos limpa deste sentimento (Gálatas 5.22). Que Deus nos abençoe e que Nele possamos ser livres desse sentimento, bem como nos use para ajudar e abençoar, encaminhando para Ele, ao Senhor Jesus, aqueles que humildemente desejam ser livres de tal sentimento.

Referências.

R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Editora Hagnos;

Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD.

Bíblia de Jerusalém. Editora Paulus.

Bíblia de Estudo Pentecostal. Editora CPAD.




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