sexta-feira, 23 de maio de 2014

COMPLEXO DE CULPA, O TORMENTO DA ALMA HUMANA. Lição n.8

COMPLEXO DE CULPA, O TORMENTO DA ALMA HUMANA.

Comentário para a lição da Escola Dominical, revista editora betel "Enfermidades da alma", escrita pelo Pr. Israel Maia.

INTRODUÇÃO.

O sentimento de culpa está presente na alma humana. Não existe uma sociedade livre do sentimento de culpa. Todos, exceto aqueles que possuem personalidade psicopática, possuem sentimentos de culpa. Em alguns casos, aqueles que possuem essa personalidade psicopática não possuem esse sentimento.

Não existe uma sociedade livre do sentimento de culpa. Don Richardson, em seu livro fator Melquisedeque, conta-nos sobre um povo que tinha um ritual bem curioso: Os anciãos construíam um barco, onde colocavam uma galinha presa a ele. Em seguida, os anciãos vinham e impondo as mãos sobre ela e a embarcação e confessavam o pecado deles e de toda a tribo. Após, sacrificavam outra ave e aspergiam o seu sangue sobre a embarcação e a colocavam sobre o rio. Todo esse ritual era observado atentamente por toda a tribo e enquanto a embarcação seguia o seu fluxo, eles observavam atentamente a embarcação desaparecer na correnteza, pois se a embarcação afundasse ou encalhasse em algo, significaria que os deuses daquela tribo não teriam aceitado o sacrifício para expiar o pecado daquela tribo e eles iriam embora tristes por isso, principalmente por saber que eles teriam uma nova oportunidade de buscar o perdão dos deuses apenas no próximo ano. Entretanto, quando tudo ocorria bem, eles faziam uma grande festa em gratidão aos deuses por terem os seus pecados perdoados. O mais interessante é que esse povo nunca tinha ouvido falar de Moisés ou de Cordeiro Pascoal ou de dia da expiação.

1.      O ARREPENDIMENTO, UMA DECISÃO NECESSÁRIA.

Arrependimento significa “mudança de mente”, de atitude, de procedimento.

O sentimento de culpa está por trás de grande parte dos tormentos da alma humana. Sentimentos de culpa não são necessariamente ruins, pois ele normalmente atua ajudando no processo relacional, ajudando na vida em sociedade. Entretanto, esse sentimento também tem o poder de destruir a alma quando não está presente corretamente.

Em serviços de aconselhamento é possível observar que o sentimento de culpa está no centro dos problemas daqueles que buscam aconselhamento. Sentimentos de culpa podem estar por trás de problemas como depressão e  complexo de inferioridade. Gary Collins, em seu livro Aconselhamento Cristão diz o seguinte:

"... Converse com pessoas deprimidas, solitárias, angustiadas,membros de famílias violentas, homossexuais, alcoólatras, doentes terminais, pessoas que estão passando por crises conjugais ou qualquer outro tipo de problema, e você você descobrirá que a culpa faz parte de suas dificuldades. A culpa é o terreno onde religião e psicologia se encontram."

Muitos doentes terminais se encontram em conflito com esse sentimento, de culpa, pelos seus atos e omissões durante a vida. Já tive a oportunidade de conversar com pacientes terminais que sofriam não só as dores de suas enfermidades físicas, mas a dor da alma pelo sentimento de culpa e por saber que não teriam como tentar reverter ou minimizar as consequências de suas escolhas.
Todos têm seus sentimentos de culpa.

2.      DETECTANDO O COMPLEXO DE CULPA.

Podemos, no entanto definir o que é culpa?

Para falarmos sobre culpa e sentimento de culpa, precisamos fazer uma distinção:

Culpa: É um fato objetivo, ao cometermos um ato que merece repreensão, somos responsáveis por ele, culpados, quer sintamos ou não.

Sentimento de culpa é algo subjetivo, pois alguém pode deixar de se sentir culpado por um ato repreensível, assim como alguém pode se sentir culpado sem tê-lo cometido.

Segundo Collins, foram identificados quatro tipos de culpa, que podem ser agrupados em duas categorias fundamentais: Culpa objetiva e culpa subjetiva. A culpa objetiva ocorre quando uma lei é quebrada e o transgressor é culpado, embora possa não sentir culpado. A culpa subjetiva se refere aos sentimentos íntimos de remorso e autocondenação que surgem por causa de nossas ações.

1. Culpa objetiva. Pode ser dividida em qjatro tipos que se superpõem, se fundem e suas divisões são menos evidentes do que aparentam ser:

A. Culpa legal. A violação das leis da sociedade. A pessoa que avança um sinal vermelho por exemplo, ou rouba um objeto de uma loja de departamentos é culpada, mesmo que nunca venha a ser flagrada cometendo tal ato e independente ou não de sentir ou não algum remorso.

B. A culpa teológica. Envolve uma falha de se obedecer às leis de Deus. A Bíblia descreve os padrões divinos para o comportamento humano, padrões que vez ou outra infringimos por meio de pensamentos ou ações. De acordo com as Escrituras, todos nós somos pecadores (Romanos 3.23). Todos somos culpados diante de Deus, quer sintamos remorso sobre isso ou não.

Muitos psiquiatras e psicólogos não admitem a culpa teológica pois se fizerem isso teriam de assumir que existem padrões morais absolutos e que que os estabeleceu foi Deus. Por isso, muitos preferem crer que o certo e o errado são relativos, dependendo de sua criação, educação e valores recebidos e de suas experiências individuais.

C. Culpa pessoal. Neste caso, a pessoa viola seus próprios padrões pessoais ou resiste aos apelos de sua própria consciência.

D. A culpa social. Essa culpa surge quando quebramos uma regra que não está escrita, no entanto ela é tida como válida socialmente. Por exemplo, se uma pessoa se comporta grosseiramente, fala mal das outras pessoas, ignora alguém necessitado, nenhuma lei foi quebrada e pode não haver os sentimentos de remorso, no entanto essa pessoa é culpada porque ela violou as expectativas do sei grupo social.

Quando infringimos qualquer uma dessas leis, nos sentimos culpados, e nos sentimos mal. Porém também se pode infringir essas leis e não se sentir culpado de modo algum. Vemos isso presente em muitos casos de criminosos que não se arrependem de seus crimes ou até mesmo de cristãos declarados que se esquecem de Deus e pecam contra ele todos os dias, mas não se sentem culpadas de suas ações, conforme explica Gary Collins.

2. Culpa subjetiva. Esse tipo de culpa é o sentimento de pesar, remorso, vergonha e autocondenação que freqüente surge quando fazemos ou pensamos quando fazemos ou pensamos alguma coisa errada, ou deixamos de fazer algo que deveríamos ter feito, vindo muitas vezes acompanhados de sentimentos de ansiedade, desânimo, medo de uma punição, diminuição de auto estima e sensação de isolamento. Estes sentimentos e reações podem ser fortes ou fracas.

Esses sentimentos de culpa subjetiva podem ser apropriados e impróprios.
·        Apropriados – Quando infringimos uma lei ou um ensinamento da Palavra de Deus e sentimos um remorso proporcional à gravidade das nossas ações.
·        Impróprios – São quando os sentimentos de culpa não são proporcionais à gravidade do ato. Por exemplo, aquele que matou e não se sente culpado por isso, assim como aquele que se pune e se aflige por um pensamento impróprio.

3.      A AÇÃO DE CRISTO  JESUS.

COMO A PALAVRA DE DEUS TRATA O PROBLEMA DA CULPA.

A Palavra de Deus trata da culpa teológica, pois somos culpados por violar a lei de Deus. Parece haver pouca ou nenhuma diferença na Palavra de Deus entre “culpa” e “pecado”.
É possível ajudar pessoas a lidar com o pecado e a culpa analisando os conceitos de tristeza construtiva e o perdão divino.

Tristeza construtiva, também é chamado de tristeza santa, é um termo usado por Bruce Narramore, baseado em 2 Coríntios 7.8-10. Aqui, Paulo faz uma distinção entre a tristeza do mundo (que parece ser o equivalente do sentimento de culpa) e a tristeza santa que “produz arrependimento para a salvação que a ninguém traz pesar”. Ela é construtiva porque causa uma mudança construtiva.
Ela está de acordo com a Escritura. Pois ela leva o pecador a se voltar para Deus. Vemos isso no exemplo de Davi (2 Samuel 11.26 – 12.9; Salmo 51) e Pedro (João 21.9, 15-17- note a expressão: “e Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez” no versículo 17).

Pedro, ao negar Jesus, chorou amargamente (Mateus 26.75), experimentou profundo remorso e arrependimento sincero, acompanhado de um verdadeiro desejo de mudar, sendo restaurado pelo Senhor. Foi liberto de todo sentimento de culpa e Jesus o fez provar o perdão.
Esse perdão divino é o principal tema da Bíblia, principalmente do Novo Testamento. Jesus veio para dar a sua vida em resgate de muitos, para nos levar a comunhão com Deus (Lc 15; 19.10; João 3.16).
Para experimentar o perdão divino precisamos nos arrepender e nos voltar para Deus através de Cristo, e com a ajuda do Senhor Jesus, Aquele que perdoa os nossos pecados, precisamos estar dispostos a perdoar a outras pessoas (Mt 6.12, 14; 18.21-35).

Que o Senhor Jesus nos ajude a encontrar Nele sempre liberdade contra todo sentimento de culpa e experimentarmos sempre do seu amor, graça e perdão.

Referências:

O Fator Melquisedeque. Autor: Don Richardson.
Aconselhamento Cristão. Autor: Gary R. Collins.
Culpa e seus desdobramentos no processo de ajuda. Pr. Nelson Xavier de Brito.

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